
A água é essencial para a vida, porém esse recurso natural enfrenta um cenário crescente de escassez e riscos de contaminação. Mais do que nunca, é preciso atenção à sua origem e qualidade, já que sem o cuidado adequado, doenças podem ser transmitidas através do consumo. Uma das bactérias que atinge o recurso é a Shigella.
A bactéria desencadeia uma doença chamada de Shigelose. Em um cenário de mudanças climáticas e saneamento básico precário, o Dr. Fernando Silveira, infectologista e Coordenador da Infectologia do Grupo Mantevida, explica ao Correio como a contaminação pode ameaçar a saúde pública.
- Leia mais aqui: Cientistas descobrem molécula que corta motor do câncer
Apesar da gravidade, a shigelose vive à sombra de outras enfermidades. Muitas vezes os sintomas da doença são confundidos, tornando o registro subnotificado no Brasil. Segundo o Dr. Fernando, muitos casos leves sequer chegam aos consultórios ou acabam "diluídos" nas estatísticas gerais de diarreias infecciosas.
O Perigo Além do "Mal-Estar"
Embora qualquer pessoa possa se infectar, o Dr. Fernando destaca que o grupo de risco é bem definido: crianças pequenas, idosos e imunossuprimidos — pessoas com o sistema imunológico enfraquecido. O contágio ocorre principalmente em locais com higiene precária. Segundo o médico, é necessário ficar atento se a diarreia vir acompanhade de:
- Febre alta;
- Presença de sangue ou muco nas fezes;
- Sinais de desidratação (boca seca, fraqueza extrema e redução da urina);
- Persistência dos sintomas por mais de 48 a 72 horas.
"Não é só a frequência das evacuações que importa, mas o estado geral do paciente. Esses sinais sugerem uma infecção bacteriana que pode evoluir com gravidade", pontua o médico.
- Leia mais aqui: Cozinhar protege o cérebro, de acordo com pesquisadores
O Dr. Fernando lista falhas comuns como a falta de lavagem das mãos após o uso do banheiro e a contaminação cruzada, como utilizar a mesma faca ou tábua para cortar carne crua e, logo em seguida, preparar uma salada.
Somado a isso, o Brasil enfrenta o desafio dos eventos climáticos extremos. Enchentes e falhas no abastecimento facilitam a contaminação da água por resíduos fecais, que é a principal via de transmissão da bactéria Shigella.
Um ponto que preocupa a comunidade médica é a resistência bacteriana já que existem variações genéticas da Shigella no Brasil que não respondem aos antibióticos comuns. "O país tem protocolos para tratar a doença, mas o uso inadequado de medicamentos e a desigualdade no acesso ao diagnóstico dificultam o combate. Estamos parcialmente preparados, mas a vigilância precisa ser contínua", alerta o infectologista.
- Leia mais aqui: A fruta que Ana Maria Braga terá que ficar um ano sem comer
Prevenção simples
A solução mais eficaz é a mais antiga e a mais óbvia: higiene rigorosa das mãos. O médico explica que em ambientes coletivos, como creches e escolas, o cuidado deve ser redobrado, já que o contato fecal-oral entre crianças é o principal motor de surtos.
Educação sanitária, acesso a saneamento básico e o hábito de lavar as mãos antes de comer são as barreiras definitivas contra uma doença que, em pleno século 21, ainda não deveria fazer parte do nosso cotidiano.
*Estagiária sob supervisão de Luiz Felipe

Ciência e Saúde
Ciência e Saúde
Ciência e Saúde
Ciência e Saúde
Ciência e Saúde
Ciência e Saúde