Mudanças climáticas

Eventos extremos ocorrem mesmo com aquecimento moderado, segundo pesquisadores

Se temperatura global subir 2ºC em relação aos níveis pré-industriais, secas severas, incêndios e chuvas intensas podem ameaçar a produção de alimentos, florestas e áreas urbanas densamente povoadas

Secas extremas atingirão importantes regiões agrícolas mesmo com aumento de 2°C sobre níveis pré-industriais -  (crédito:  André Knzelmann/Divulgação )
Secas extremas atingirão importantes regiões agrícolas mesmo com aumento de 2°C sobre níveis pré-industriais - (crédito: André Knzelmann/Divulgação )

Mesmo em um cenário moderado de aquecimento — 2ºC acima dos níveis pré-industriais —, a Terra pode enfrentar riscos climáticos extremos como os previstos para uma elevação de temperatura de 3°C ou 4°C, diz um estudo publicado na revista Nature. A pesquisa reforça que, nessas condições, secas severas, incêndios e chuvas intensas podem ameaçar a produção de alimentos, florestas e áreas urbanas densamente povoadas. 

Os autores do artigo, do Centro Helmholtz para Pesquisa Ambiental (UFZ), na Alemanha, defendem que governos e instituições se preparem para cenários graves, mesmo que o limite estabelecido pelo Acordo de Paris seja respeitado. "Cenários climáticos globais extremos de pior cenário têm sido tipicamente descritos usando os resultados médios de muitos modelos climáticos em altos níveis de aquecimento global (3°C ou 4 °C)", explica Jakob Zscheischler, pesquisador climático do UFZ. "No entanto, essa abordagem não leva em consideração o fato de que, mesmo em níveis moderados de aquecimento global, as projeções climáticas individuais para certas regiões podem ser muito severas."

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Para fornecer uma visão mais clara dos riscos, os cientistas adotaram uma nova abordagem: identificaram fatores específicos de impacto climático em cada setor, como eventos extremos de precipitação e secas em regiões vulneráveis, como florestas, agricultura e áreas densamente povoadas. A combinação desses elementos permitiu avaliar as mudanças climáticas em locais onde elas são particularmente relevantes para riscos globais específicos. Os cientistas do UFZ também analisaram simulações globais de diversos modelos que servem de base para os relatórios do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). 

Agricultura

A principal conclusão é de que, para cada um dos três domínios globais examinados (chuvas intensas em regiões densamente povoadas, secas em regiões agrícolas globais e condições climáticas propícias a incêndios em florestas), algumas projeções indicam mudanças consideravelmente maiores com um aquecimento de 2°C do que a média de todos os modelos com 3°C ou mesmo 4°C. Isso é particularmente evidente em relação à segurança alimentar em regiões produtoras que respondem por uma grande parcela da produção global de milho, trigo, soja e arroz, como o Brasil. 

Nessa área, os modelos climáticos têm diferenças muito grandes: a frequência de secas com um aquecimento de 2°C pode permanecer inalterada ou aumentar em mais de 50%. "Com 2°C, 10 dos 42 modelos examinados produzem um aumento de secas consideravelmente acima da média daqueles com um aquecimento de 4°C", afirma Emanuele Bevacqua, principal autor do artigo. 

"Nossos resultados não significam que um aquecimento global de 2°C seria tão severo no geral quanto um aquecimento muito maior", esclarece Zscheischler. "Em vez disso, eles mostram que impactos extremos em setores particularmente vulneráveis ou socialmente importantes podem ocorrer mesmo com um aquecimento moderado de 2°C". Para os pesquisadores, as conclusões devem ser incorporadas à avaliação dos riscos climáticos e ao planejamento de medidas de adaptação.

 

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postado em 26/03/2026 05:05
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