Epilepsia

No dia mundial da epilepsia, cientistas alertam que fatores genéticos precisam ser elucidados para melhorar tratamento

Segundo levantamento feito na Universidade de Olso, na Noruega, enquanto milhares de genes conhecidos podem influenciar o risco de desenvolvimento da doença, muitos permanecem ocultos, impactando no tratamento

A epilepsia não é uma doença única, mas um conjunto de distúrbios convulsivos que afeta aproximadamente 50 milhões de pessoas em todo o mundo -  (crédito: The Neurology Center for Epilepsy and Seizures/Divulgação )
A epilepsia não é uma doença única, mas um conjunto de distúrbios convulsivos que afeta aproximadamente 50 milhões de pessoas em todo o mundo - (crédito: The Neurology Center for Epilepsy and Seizures/Divulgação )

Milhares de variantes genéticas influenciam o risco de epilepsia, mas a maioria permanece oculta, diz uma revisão de artigos científicos publicada na revista Genomic Psychiatry. Segundo o autor, Olav B. Smeland, do Centro de Psiquiatria de Precisão do Hospital Universitário de Oslo, na Noruega, mais pesquisas genéticas são necessárias para responder perguntas como o que determina quem desenvolve a doença, qual paciente responde ao tratamento e por que cerca de um terço das pessoas com o distúrbio psiquiátrico não respondem às terapias atuais. 

A epilepsia não é uma doença única, mas um conjunto de distúrbios convulsivos que afeta aproximadamente 50 milhões de pessoas em todo o mundo, acarretando maior mortalidade e comorbidades psiquiátricas. A complexidade poligênica do mal dificulta a compreensão das epilepsias comuns, como a focal e a generalizada genética. Hoje (26) é o dia mundial da epilepsia, data escolhida para conscientizar a população sobre o problema. 

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"Ainda estamos numa fase inicial da descoberta genética das epilepsias comuns", disse, em nota, Julian Fuhrer, coautor do estudo e pesquisador do Centro de Psiquiatria de Precisão do Hospital Universitário de Oslo. "O sinal genético está presente, as ferramentas estão melhorando e o retorno do investimento em amostras maiores e mais diversas é evidente. O que precisamos agora é de um esforço coordenado para que isso aconteça."

Alterações

O neurocirurgião do Hospital Quali Ipanema (RJ) Orlando Maia esclarece que, por ora, sabe-se que as causas da epilepsia são diversas e envolvem desde alterações estruturais congênitas até lesões adquiridas ao longo da vida. Traumas cranianos, infecções do sistema nervoso central, complicações no parto e o uso de álcool ou drogas estão entre os fatores que podem modificar circuitos cerebrais e favorecer o surgimento da doença.

O especialista destaca que a evolução do quadro está diretamente relacionada ao controle das crises. “A repetição das descargas elétricas pode alterar progressivamente os circuitos do cérebro, tornando o quadro mais difícil de controlar ao longo do tempo”, explica. Segundo Maia, aproximadamente 70% dos casos da doença poderiam ser controlados com tratamento medicamentoso adequado. Ainda assim, dificuldades de acesso ao diagnóstico e à condução especializada fazem com que uma parcela relevante dos pacientes permaneça sem controle adequado das crises, alega. 

Atividade elétrica

O tratamento atual da epilepsia baseia-se principalmente em medicamentos que regulam a atividade elétrica cerebral. “No entanto, quando as crises persistem mesmo com o uso adequado das medicações, outras abordagens podem ser consideradas, diz o neurocirurgião Orlando Maia. “Entre elas, está a neuromodulação por meio da estimulação do nervo vago, técnica que utiliza um dispositivo implantável para enviar estímulos elétricos controlados ao cérebro”, exemplifica.

Em alguns casos, especialmente nas epilepsias focais, a cirurgia para remoção da área responsável pelas crises também pode ser indicada. Há ainda terapias específicas, como o uso de canabidiol, direcionadas a síndromes epilépticas bem definidas. “Apesar dos avanços, o principal desafio está na identificação precoce e na condução adequada dos casos. A distinção entre uma adaptação transitória do cérebro e uma condição estrutural exige avaliação especializada”, finaliza Maia.

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postado em 26/03/2026 15:48 / atualizado em 26/03/2026 17:42
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