Já imaginou chegar aos 80 anos correndo ultramaratonas com a resistência de alguém de 20. O espanhol Juan López García, conhecido como "Super López", vem chamando atenção da comunidade científica por sua incrível resistência física e por “desafiar o envelhecimento”.
Recordista mundial em ultramaratonas na faixa etária dos octogenários, pessoas com idade igual ou superior a 80 anos, García passou recentemente por uma série de exames realizados por pesquisadores da Universidade de Castilla-La Mancha (UCLM), na Espanha, e da Universidade de Pavia, na Itália, que estimaram sua idade biológica em apenas 20 anos
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Por incentivo de suas filhas, aos 66 anos, García deu inicio à sua trajetória no atletismo. Na época, correr uma milha já era um desafio, mas o espanhol não desistiu e sua determinação transformou completamente sua vida: anos depois, ele se tornou um verdadeiro exemplo de longevidade.
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Hoje, García é o recordista mundial na categoria de 80 a 84 anos para a ultramaratona de 50 quilômetros (aproximadamente 31 milhas). Em 2025, ele também conquistou o campeonato mundial de maratona na sua faixa etária, com um tempo de 3h39min10s, estabelecendo ainda um recorde europeu.
O próprio atleta compartilha sua visão sobre os benefícios psicológicos da corrida: “Todos nós temos problemas em casa, alguns maiores, outros menores, mas quando você começa a correr, mesmo que tenha os mesmos problemas, eles parecem muito mais positivos, e eu gostei disso.”
Estudo
A pesquisa teve o objetivo de analisar como a prática regular de corrida em idade avançada melhora indicadores de saúde, autonomia funcional e bem-estar psicológico.
Os resultados, publicados em janeiro de 2026 na revista científica Frontiers in Physiology, mostraram que a prática regular de exercícios aumentou significativamente sua resistência fisiológica, explicando sua idade biológica muito inferior à cronológica.
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Entre as príncipais conclusões estão: melhora da saúde cardiovascular, com a redução de riscos associados ao sedentarismo; autonomia funcional, pessoas idosas conseguem adquirir manutenção da capacidade de realizar atividades diárias sem dependência; e qualidade de vida, com o aumento da autoestima, integração social e vitalidade.
Corpo de Juan
Um dos fatores que chamou atenção dos pesquisadores, foi que, García tem 77% de massa muscular, uma proporção típica de atletas de 20 ou 30 anos, apesar de pesar apenas 59 kg e medir 1,57 metro, isso se torna capaz, porque seu metabolismo utiliza a gordura como principal fonte de energia de forma altamente eficaz, queimando cerca de 0,55 gramas por minuto.
Graças a esse metabolismo, o atleta consegue sustentar esforços prolongados sem queda brusca de desempenho, tornando-se um exemplo de longevidade ativa e eficiência energética.
O dado mais impressionante do estudo é o consumo máximo de oxigênio (VO2 máx) do objeto de estudo, que atingiu 52,8 ml/kg/min, maior valor já registrado para uma pessoa com mais de 80 anos. Para comparação, a média para homens da sua idade é de 17,6 ml/kg/min, o que significa que a capacidade dele é três vezes superior à média.
O caso de Juan López García reforça a ideia de que atividade física consistente na terceira idade pode afetar positivamente a genética do envelhecimento, estimulando pesquisas sobre longevidade e saúde em idosos.
*Estagiaria sob supervisão de Paulo Leite
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