Saúde

Os efeitos do café no cérebro e na saúde metabólica

Para além do hábito, o consumo exige estratégia. Nutricionista detalha como a bebida influencia o sono, o metabolismo e os limites seguros para a saúde

Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association acompanhou mais de 130 mil pessoas por 40 anos e concluiu que consumir de 2 a 3 xícaras de café por dia pode reduzir em até 20% o risco de desenvolver demência. -  (crédito: Pixabay)
Um estudo publicado no Journal of the American Medical Association acompanhou mais de 130 mil pessoas por 40 anos e concluiu que consumir de 2 a 3 xícaras de café por dia pode reduzir em até 20% o risco de desenvolver demência. - (crédito: Pixabay)

Presente na rotina de milhões de brasileiros, o café vai muito além de um hábito cultural. Do tradicional coado ao extra-forte às cápsulas, o grão se consolidou como uma das bebidas mais populares do país e um dos pilares históricos da economia nacional atravessando gerações. 

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Das regiões montanhosas de Minas Gerais às mesas dos brasileiros, o consumo segue elevado. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), no ano de 2025, o país registrou cerca de 21,4 milhões de sacas de café industrializado, enquanto o consumo mundial ultrapassa 174 milhões de sacas de 60 kg.

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A produção também continua em expansão, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil pode bater um novo recorde, e deve colher em 2026 uma safra estimada em 66,2 milhões.

Mas, além da importância econômica, o consumo da bebida também levanta dúvidas sobre seus efeitos no organismo. Para entender melhor os impactos do café na saúde, o Correio conversou com a supervisora de Nutrição e especialista em Nutrição Clínica do Hospital Santa Lúcia Sul, Juliana Epaminondas de Araújo.

Horários de consumo

Segundo a nutricionista, o consumo pode ser melhor aproveitado algum tempo depois de acordar. “O organismo apresenta um pico natural de cortisol ao despertar, o hormônio é responsável por nos manter alertas. Quando o café é consumido imediatamente, a cafeína pode interferir nessa regulação”, explica.

Por isso, a recomendação é ingerir a bebida entre 60 e 90 minutos após acordar, momento em que os níveis hormonais começam a diminuir e o efeito estimulante da cafeína tende a ser mais eficiente.

Sono

Se pela manhã, o café costuma favorecer o estado de alerta e o desempenho cognitivo, no período da tarde/noite, a cafeína pode interferir no ciclo circadiano - o chamado relógio biológico do corpo. “Consumir café mais tarde pode atrasar o início do sono profundo e comprometer a qualidade do descanso”, afirma Juliana.

Para evitar prejuízos ao sono, o ideal é que o consumo seja feito até seis horas antes do horário de dormir. “A cafeína tem uma meia-vida média de quatro a seis horas no organismo, podendo permanecer ainda mais tempo em pessoas sensíveis”, destaca Juliana. Na prática, quem costuma dormir por volta das 22h deve evitar café após as 16h ou 17h.

Em jejum

Para a maioria das pessoas, o hábito não causa problemas, no entanto, indivíduos mais sensíveis à cafeína podem apresentar desconfortos gastrointestinais. “O café em jejum pode provocar azia, irritação gástrica ou aumento da acidez estomacal. Além disso, pode intensificar temporariamente o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca”, explica a nutricionista. Para essas pessoas, a orientação é consumir a bebida após uma refeição leve ou algum tempo depois de acordar.

Consumo moderado

Para adultos saudáveis, o consumo moderado fica em torno de três a quatro xícaras de 150 ml por dia, o que corresponde a aproximadamente 400 mg de cafeína. Esse limite é considerado seguro por órgãos internacionais como a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) e a Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos.

A especialista ressalta que gestantes, pessoas com hipertensão ou com distúrbios de ansiedade devem ter atenção redobrada e, em alguns casos, reduzir a ingestão.


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Composto do Café

Além do efeito estimulante, a nutricionista destaca que o café contém compostos bioativos importantes, como polifenóis e ácidos clorogênicos, substâncias com ação antioxidante.

Esses componentes ajudam a combater radicais livres, associados ao envelhecimento celular e ao desenvolvimento de doenças crônicas. Estudos também apontam que o consumo moderado da bebida pode contribuir para a melhora do estado de alerta, além de estar associado a menor risco de doenças metabólicas e neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson.

Segundo Juliana, o café também apresenta efeito termogênico, ou seja, aumenta discretamente o gasto energético e a oxidação de gorduras. Esse mecanismo pode auxiliar em estratégias de controle de peso corporal, desde que esteja associado a hábitos de vida saudáveis.

A especialista reforça que os efeitos positivos dependem da quantidade consumida e do padrão alimentar.

“O café pode fazer parte de uma alimentação saudável, desde que consumido com equilíbrio. Também é importante observar o que é adicionado à bebida, como açúcar ou adoçantes, que influenciam no valor calórico”, conclui Juliana. 

Produção do Café

O café brasileiro nasce dos grãos arábica e conilon, cultivados em diferentes regiões do país. Após a colheita dos frutos maduros, os grãos passam pelo beneficiamento, processo de retirada da casca e secagem e seguem para a torra, etapa que define aroma e sabor. Em seguida, são moídos em diferentes granulometrias, resultando no produto final: café torrado e moído ou em cápsulas, pronto para consumo. Cada fase, da lavoura à xícara, influencia diretamente a qualidade e o perfil da bebida.

Estagiária sob supervisão de Paulo Leite

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postado em 05/03/2026 18:29
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