
Um estudo publicado na revista científica Nature Communications nesta quinta-feira (5/3) revelou que a supertempestade solar de maio de 2024, que atingiu a Terra, provocou impactos inéditos em Marte e trouxe novas pistas sobre como o clima espacial de um planeta afeta outros. A supertempestade foi registrada por sondas da Agência Espacial Europeia (ESA) — que estavam no lugar e na hora certos. Os dados mostraram que a atmosfera do Planeta Vermelho ficou intensamente energizada e que as espaçonaves em órbita registraram falhas temporárias nos sistemas.
O fenômeno também foi sentido na Terra, onde auroras boreais puderam ser observadas em regiões mais baixas do que o habitual, como o México, Reino Unido, Espanha e países mediterrâneos. Em Marte, no entanto, os efeitos foram diferentes. Dados coletados pelas sondas Mars Express e ExoMars Trace Gas Orbiter indicam que a tempestade solar elevou drasticamente a concentração de elétrons na atmosfera marciana.
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???? Aurora boreal visible desde México.
— UNAM (@UNAM_MX) November 12, 2025
El fenómeno se debe a una tormenta geomagnética provocada por la actividad del Sol.
Se han registrado avistamientos en el norte del país y podría repetirse esta noche con una nueva oleada solar.
El Servicio de Clima Espacial México… pic.twitter.com/ye4ypl4JcA
O estudo
O estudo realizado por uma equipe multidisciplinar de pesquisadores, da European Space Agency (ESA), com Jacob Parrott como o autor principal, aponta que a tempestade aumentou a densidade de elétrons em duas camadas da atmosfera de Marte, na camada M1 o aumento foi de 109 km de altitude. Nessas regiões, os cientistas observaram elevações de até 278% na quantidade de partículas carregadas, a maior já registrada nessa camada atmosférica do planeta, e a camada M2 está a 152 km (onde o aumento foi de apenas 45%).
Em apenas 64 horas o monitor de radiação a bordo da Trace registrou níveis equivalentes a cerca de 200 dias de exposição considerados normais para a região. O impacto foi tão intenso que os computadores das duas sondas registraram erros momentâneos, um efeito esperado durante episódios extremos de clima espacial, causados por partículas altamente energéticas emitidas pelo Sol.
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Para analisar o fenômeno, os pesquisadores utilizaram uma técnica chamada “ocultação de rádio”. Nesse método, um sinal de rádio é transmitido entre duas espaçonaves enquanto uma delas desaparece no horizonte do planeta. Durante o percurso, o sinal atravessa diferentes camadas da atmosfera, permitindo que cientistas identifiquem variações na composição e densidade.
Esse tipo de observação também contou com dados complementares da missão MAVEN, da NASA, que monitora a interação entre o Sol e a atmosfera marciana.
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Terra x Marte
Os resultados ajudam a entender melhor as diferenças entre Marte e a Terra, enquanto o planeta azul possui um campo magnético global que ajuda a desviar parte das partículas vindas do Sol, Marte praticamente não tem essa proteção, isso faz com que a atmosfera fique mais exposta aos efeitos do clima espacial. Essa fragilidade ajuda a explicar por que o planeta perdeu grande parte de sua atmosfera e da água que existia em sua superfície ao longo de bilhões de anos.
Futuro
Compreender esses fenômenos é considerado essencial para o planejamento de futuras missões espaciais. Tempestades solares podem afetar sistemas de comunicação, danificar equipamentos em órbita e até representar riscos para astronautas em missões fora da proteção da Terra.
Além disso, os cientistas acreditam que a interação contínua entre o vento solar e Marte pode ter contribuído para que o planeta perdesse grande parte de sua atmosfera ao longo de bilhões de anos, um processo que também está ligado ao desaparecimento de grande parte da água que existia na superfície marciana.
Agora, os pesquisadores pretendem usar técnicas semelhantes em futuras missões para acompanhar de forma mais precisa como o clima espacial influencia a atmosfera de outros mundos do Sistema Solar.
*Estagiária sob supervisão de Ronayre Nunes
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