CUIDADO COM A SAÚDE

Mês da saúde bucal: doenças afetam bilhões silenciosamente

Março, quando é celebrado o Dia Mundial da Saúde Bucal, é chave para conscientizar a população sobre a importância de manter cuidados constantes com a boca

Apesar de serem amplamente preveníveis, diferentes tipos de doenças bucais afetam bilhões de pessoas de forma silenciosa. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), 3,5 bilhões ao redor do mundo convivem com problemas do gênero. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ressalta que um em cada cinco brasileiros não fazem consultas regulares. O mês de março, quando é celebrado o Dia Mundial da Saúde Bucal, é chave para conscientizar a população sobre a importância de manter cuidados constantes com a boca.

Ao Correio, a dentista Maria Letícia Bucchianeri ressalta que o principal problema é a falta de organização da rotina. "A maior parte da população ainda não rotinizou os checkups odontológicos como parte de um dia a dia de cuidados gerais. O problema é que muitos dos pacientes só correm atrás de um dentista quando sentem dores. E, como as principais doenças bucais são insidiosas e de desenvolvimento lento, a enfim chegada ao profissional já traz consigo um quadro mais complexo", explica. 

Maria Letícia ressalta que prevenções podem ser feitas até mesmo por meio de auto-análises. Diferentes pontos como gosto de sangue na boca, mudança de posição dos dentes e até mesmo queixas de mau-hálito por pessoas próximas podem ser indicativos de eventuais problemas. 

"É importante, esporadicamente, olhar dentro da boca; fazer uma análise da gengiva; olhar a língua e debaixo dela; checar eventuais machucados que não cicatrizam, por exemplo. E eventuais sangramentos, também, durante a escovação ou a alimentação", exemplifica.   

A dentista ressalta que o diagnóstico precoce, assim como em outras enfermidades, é extremamente importante para prevenir quaisquer problemas. Mas, principalmente, as doenças mais comuns, como cáries e problemas periodontais (doenças na gengiva), e até as mais graves, como câncer bucal.

"É preciso manter uma boa rotina de higienização em casa: usar creme dental fluoretado, escova de dente, fio dental. Ir ao dentista duas vezes por ano, mas ir ao profissional nesse intervalo caso seja necessário. Além disso, manter uma alimentação saudável, com pouco açúcar, álcool e distância do tabagismo", ressalta. 

"Gosto de fazer uma analogia com uma orquestra. Nosso corpo funciona como uma. Precisamos de todos os sistemas bem. Quando um não funciona bem, distúrbios aparecem em outros. Não cuidarmos da boca significa abrirmos uma porta para que demais problemas apareçam. Processos inflamatórios, infecções, bactérias na boca, tudo isso pode cair na corrente sanguínea e ir parar lá longe, como no cérebro, no coração. Assim chegam AVC's, infartos, por exemplo. Não se pode tratar a cavidade bucal como dissociado do resto do corpo", acrescenta. 

 

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