Pesquisas recentes reforçam que sonhar faz parte do processamento de memórias, da integração de experiências emocionais e da reorganização do que se vive no dia a dia. É comum que os sonhos nos causem dúvidas. Um exemplo comum é quando sonhamos que estamos sendo perseguidos, fazendo com que pensemos o por que isso acontece.
Hoje, já há evidências de que sonhar ajuda o cérebro a ligar lembranças recentes a memórias antigas. Para André Botelho, médico psiquiatra do Sírio-Libanês, em Brasília, sonhar tem uma função muito importante. “O senho não 'traduz' tudo de forma literal, mas expressa preocupações, desejos, conflitos, medos e tentativas de lidar com aspectos profundos da nossa vida emocional.”, explica o psiquiatra.
Do ponto de vista da neurociência, sonhar mostra que o cérebro mesmo adormecido continua trabalhando. Já para psicanálise, sonhar não é apenas biológico, é também algo que ajuda o indivíduo a processar a vida e as emoções da pessoa.
Botelho explica que é comum que sonhos recorrentes, como sonhar que está sendo perseguido, chamem mais a atenção por acontecerem muitas vezes em momentos de instabilidade emocional. A literatura atual associa esses sonhos recorrentes e pesadelos a cargas de sofrimento psíquico, sobretudo em quadros de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.
Uma boa explicação para sonhar que está sendo perseguido é que os sonhos funcionam como simulações de ameaças, nos quais o cérebro ensaia situações de perigo e possíveis respostas em um “ambiente seguro”. Essa hipótese da neurociência ajuda a entender o motivo dessas cenas de fuga, perseguição, queda e invasão ocorrerem com tanta frequência.
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O psiquiatra do Sírio-Libanês explica também que “o sonho pertence ao sonhador”. Ou seja, cada um tem as próprias perseguições internas, portanto não existe um significado universal para um determinado sonho. Os sonhos acontecem a partir de um olhar interno, que busca razões dentro do contexto emocional e das experiências do indivíduo.
*Estagiário sob supervisão de Paulo Leite
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