Quando o relógio marcou 18h25'12" na Flórida — em Brasília, uma hora a mais —, os espectadores que acompanhavam o lançamento da missão Artemis presencialmente em Cabo Canaveral, pela televisão e pela internet puderam, enfim, respirar. Depois de quase 54 anos, três tentativas frustradas e dois reparos em menos de 12 horas, a humanidade partiu em segurança à Lua para uma missão tripulada que deve durar ao menos 10 dias. Mesmo que, dessa vez, os quatro ocupantes (veja quadro) não deixarão a marca de suas sobrebotas (lunar overshoes) na superfície do satélite, a viagem abre uma nova e importante era de exploração espacial.
- Chocolate na Páscoa afeta a pele? Veja cuidados essenciais
- Suplementação errada pode afetar tratamento de câncer
A segunda etapa do programa Artemis — a primeira, em novembro de 2022, consistiu em um voo não tripulado — abre as portas para o que a Agência Espacial Norte-Americana (Nasa) chamou de "nova grande viagem da humanidade". Diferentemente das missões Apollo, que ocorreram em um contexto de conquista do espaço em plena guerra fria, o objetivo, hoje, não é (apenas) fincar uma bandeira no satélite. Porém, o presidente norte-americano Donald Trump não deixou de fazer uma provocação ufanista pelas redes sociais. "Estamos ganhando: no espaço, na Terra e em em tudo o que há entre os dois", escreveu.
A chegada à Lua, uma empreitada multinacional e com colaboração da iniciativa privada, traz com ela planos ainda mais ambiciosos: a construção de uma base no satélite da qual, no futuro, sairão missões tripuladas a Marte. E, de lá, "ao infinito e além".
Pelo cronograma inicial, a Artemis II teria sido lançada em 2024. Problemas orçamentários e técnicos, entretanto, atrasaram a maior missão espacial norte-americana em mais de meio século. Com isso, está prevista para 2028 a tão esperada alunissagem, antecedida, agora, por esse sobrevoo, uma etapa fundamental no processo de volta à superfície lunar. O objetivo, nesse momento, é testar não apenas a segurança da viagem em si, mas a resiliência do corpo humano em condições espaciais.
Artemis II é, entre outras coisas, um teste sobre a vida no espaço profundo. Diferentemente dos astronautas a bordo da Estação Espacial Internacional, que opera na órbita terrestre a uma distância de 400 km da superfície planetária, a tripulação da nave Orion viajará além do campo magnético protetor da Terra. Nenhum ser humano — nem os astronautas da Apollo — alcançou um ponto tão longínquo como o que se espera chegar em 10 dias.
Antes da ida à Lua
Vinte e cinco minutos depois da partida, a espaçonave alcançou a órbita da Terra. Com velocidades variando até um pico de 40 mil quilômetros por hora, Orion deverá sobrevoar a Lua no sexto dia da missão. Com a ajuda da gravidade do próprio satélite, a nave formará um oito gigante na órbita lunar, um traçado que incluirá o lado oculto, jamais avistado por tripulantes, mas tão cultuado pela cultura popular em filmes, quadrinhos e nos acordes de The Dark Side of The Moon, da banda Pink Floyd (1973).
No ponto de maior distância, Artemis II alcançará 7,4 mil quilômetros além da Lua. Em 10 de abril, Orion retorna à Terra, inaugurando mais um capítulo da história da exploração espacial. "A Artemis II representa um momento crucial para a exploração espacial humana. Pela primeira vez em mais de meio século, astronautas estão retornando à Lua — e dessa vez a missão vai muito além de bandeiras e pegadas. O roteiro do programa Artemis prevê pousos tripulados na Lua em 2028, daqui a apenas dois anos, e, em última instância, o primeiro passo para enviar humanos a Marte", comemorou Guifré Molera Calves, chefe de pesquisa espacial na multinacional alemã de tecnologia Hensoldt.
"A Artemis 2 marca o início da próxima fase da exploração espacial humana. A missão é o primeiro passo empolgante no programa da Nasa para estabelecer uma base na Lua nos próximos 10 anos", destacou Matt Shaw, pesquisador associado em astrometalurgia na Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália. "Uma presença permanente na Lua é uma perspectiva empolgante. Uma base lunar nos permitirá entender melhor nosso vizinho próximo (Marte), bem como começar a aproveitar os recursos de lá para construir uma economia cis-lunar."
Para Mike Lockwook, professor de Física Espacial da Universidade de Reading, no Reino Unido, Artemis II é acompanhada de implicações geopolíticas, que precisam ser debatidas. "Trata-se de uma colaboração internacional, mas é não global, nem inclui a China ou a Rússia. A missão apresenta uma oportunidade para forjar um novo tratado espacial, que é necessário urgentemente", acredita.
Saiba Mais
-
Cidades DF Celina Leão determina afastamento de dirigentes do BRB
-
Mundo Césio-137 em Goiânia pôs Brasil no mapa de piores acidentes radioativos do mundo: 'Não queriam que soubéssemos o que estava acontecendo lá fora'
-
Cidades DF Motorista de aplicativo invade rampa da Câmara dos Deputados; veja vídeo
