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Biólogo analisa o processo e o impacto da domesticação dos cães

Jader Marinho explica como os lobos selvagens se tornaram os cães de hoje

O processo de domesticação pode ter se iniciado há mais de 20 mil anos, quando lobos menos agressivos foram se aproximando de grupos humanos, se aproveitando de restos e sobras de alimentos. É o que sustenta o biólogo Jader Marinho, do Centro UnB Cerrado. Ele explica que a convivência com humanos e a seleção natural foram decisivas na adaptação da espécie.

 “Os lobos ganhavam uma fonte adicional e previsível de alimento e os humanos teriam se beneficiado da companhia dos lobos, melhorando sua proteção contra outros animais perigosos”, diz Marinho. 

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O pesquisador afirma que essa troca entre lobos e humanos foi determinante no processo de seleção artificial da espécie. “Os humanos preferiam domesticar os lobos mais dóceis ou capazes de realizar tarefas, o que resultou no surgimento das raças de cães como as que conhecemos hoje”.

Algumas características comportamentais dos cães são consideradas como resultado ou, ao menos, amplificadas pelo processo de domesticação. Segundo Marinho, os cães apresentam alta sociabilidade e desenvolvem fortes laços emocionais com humanos, podendo inclusive criar preferência por um tutor específico dentro de uma família ou grupo.

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O pesquisador ainda afirma que a domesticação levou ao desenvolvimento da capacidade de compreender emoções humanas e a mudanças importantes na alimentação da espécie. Ao contrário dos lobos, que são estritamente carnívoros, os cães passaram a ter maior flexibilidade alimentar, conseguindo digerir açúcares, amido e restos de comida humana, além de demonstrarem uma forma de inteligência emocional, ao perceber e reagir às mudanças de humor e comportamento dos donos.

Ele também concluiu que os interesses dos grupos humanos em diferentes ambientes provavelmente permitiram, ou até estimularam, a diferenciação genética entre populações de cães, ajustando suas habilidades às condições locais. Esse processo teria levado, mais tarde, ao surgimento das “raças”, quando a seleção artificial passou a predominar e a atender objetivos específicos dos humanos.

*Estagiário sob a supervisão Luiz Felipe

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