Muito além de uma questão estética, os cabelos brancos têm diversos estigmas sobre genética e envelhecimento, despertando a curiosidade de especialistas e pacientes sobre o surgimentos dos fios. Cada vez mais, a ciência aponta que o embranquecimento dos fios está diretamente ligado a processos internos do organismo, e não apenas ao envelhecimento natural.
A influenciadora Manoela Ribeiro, de 35 anos resolveu assumir seus cabelos grisalhos, quebrando um tabu presente no mundo feminino sobre os fios brancos. Manoela, que se intitula como Tempestade, uma personagem do desenho X-Men, conta em suas redes que o grisalho não é apenas uma escolha e, sim, um posicionamento.
Em entrevista ao Correio, o dermatologista e proprietário da Clinica Lumini, Alessandro Alarcão, explica o que está por trás do surgimentos dos fios brancos, os mitos mais comuns e o que já se sabe sobre formas de retardar o aparecimento, já que para algumas pessoas, especificamente para mulheres, isso pode ser um problema.
O que acontece quando o cabelo perde a cor
Alessandro explica que os cabelos ficam brancos quando o corpo reduz ou interrompe a produção de melanina, pigmento responsável pela cor dos fios. Essa substância é produzida pelos melanócitos, células localizadas na raiz capilar.
"Com o passar do tempo, essas células perdem a capacidade de funcionar ou deixam de existir. Além disso, o folículo capilar sofre com o chamado estresse oxidativo, um acúmulo de radicais livres que danifica essas estruturas", conclui o médico.
Segundo o especialista, o processo vai além do envelhecimento, fatores como alimentação, inflamação, ambiente e estresse influenciam diretamente a forma como os genes se expressam ao longo da vida.
Existe idade para os primeiros fios brancos?
Embora tenha uma média normalmente considerada “esperada”, o aparecimento dos fios brancos varia de pessoa para pessoa. O especialista explica que, em geral, os primeiros fios brancos surgem entre os 30 e 40 anos.
No entanto, Alexandre reforça o papel decisivo da genética: algumas pessoas começam a embranquecer antes dos 30, enquanto outras mantêm a pigmentação por mais tempo. "Há ainda fatores que podem acelerar o processo, como estresse crônico, tabagismo e deficiências nutricionais", completa o médico.
Apesar disso, o dermatologista ressalta que, na maioria dos casos, não há indicação de doença. A avaliação deve considerar o contexto geral de saúde do paciente.
Fio branco é diferente do fio comum?
Alessandro explica que a diferença vai além da cor. Os fios brancos apresentam mudanças estruturais e tendem a ser mais porosos, ressecados, ásperos e resistentes a procedimentos químicos.
"Isso ocorre por alterações na organização da fibra capilar e na distribuição de proteínas", completa. Além disso, o próprio folículo capilar passa por um processo de envelhecimento, impactando diretamente na qualidade do cabelo.
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Mito
O médico explica que os rumores sobre "arrancar o fio branco faz nascer mais" é um mito e que cada fio nasce de um folículo independente, ou seja, arrancar um cabelo branco não influencia os fios ao redor. Por outro lado, esse hábito não é recomendado, pois pode causar danos ao folículo e até levar à perda definitiva do fio.
Como retardar o processo
"Ainda não existe uma solução capaz de reverter completamente o embranquecimento dos fios", explica o médico, mas manter uma alimentação equilibrada, rica em nutrientes como vitamina B12, ferro, cobre e antioxidantes, é um dos principais cuidados. Alessandro também explica que controlar o estresse, evitar o tabagismo e cuidar da saúde hormonal também são fatores importantes.
Mais que estética: um sinal do envelhecimento
De acordo com o especialista, a medicina regenerativa, com técnicas como exossomos e terapias celulares apontam para uma expectativa que, nos próximos anos, seja possível não apenas tratar, mas modular o envelhecimento do folículo capilar.
"O avanço do conhecimento nessa área é rápido e consistente, e provavelmente veremos mudanças importantes nos próximos anos", completa. Enquanto isso, os cabelos brancos seguem contando histórias que vão muito além do espelho.
*Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca
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