O peso de uma pessoa aos 25 anos tem chance de impactar a saúde décadas depois. Um estudo com cerca de 430 mil adultos mostrou que o excesso de peso no início da vida adulta está associado a um aumento no risco de morte precoce, mesmo quando há mudanças no corpo ao longo dos anos.
A pesquisa, conduzida por cientistas da University of Oxford e baseada em dados do China Kadoorie Biobank, foi publicada na revista Science Bulletin nesta quarta-feira (8/4) e acompanhou participantes por mais de uma década. O objetivo foi entender como o índice de massa corporal no início da vida adulta influencia o risco de morte por diferentes causas.
Os resultados mostram que o impacto começa cedo e dura a vida inteira. Pessoas que já estavam obesas por volta dos 25 anos apresentaram um risco até 85% maior de morte prematura, especialmente por doenças cardiovasculares. A associação também foi observada para câncer e doenças respiratórias, com aumento progressivo do risco conforme o índice de massa corporal subia.
Um dos dados que mais chamam atenção está relacionado às doenças respiratórias. Pessoas com obesidade no início da vida adulta tiveram mais do que o dobro de risco de morte por esse tipo de condição em comparação com aqueles que mantinham peso considerado saudável.
Os pesquisadores também identificaram uma relação direta entre o peso aos 25 anos e níveis mais altos de glicose no sangue décadas depois, o que ajuda a explicar a maior incidência de diabetes neste grupo. Esse efeito aparece mesmo após ajustes para o peso na fase mais avançada da vida.
Isso significa que o organismo "guarda" os efeitos do excesso de peso acumulado ainda na juventude.
Diferentemente de estudos anteriores, que analisavam o peso já na meia-idade, essa pesquisa buscou evitar um viés comum. Muitas doenças crônicas podem causar perda de peso, o que confunde a relação entre magreza e mortalidade. Ao focar no início da vida adulta, os cientistas conseguiram observar com mais precisão o impacto do excesso de peso antes do surgimento dessas condições.
Outro ponto relevante é que os efeitos identificados não desapareceram mesmo entre pessoas que emagreceram mais tarde. Isso sugere que embora a perda de peso traga benefícios, parte do risco já pode ter sido estabelecida anos antes.
Para os autores, manter um peso saudável desde cedo pode ser mais importante do que tentar corrigir o problema apenas na fase adulta.
O epidemiologista Huaidong Du, um dos responsáveis pelo estudo, afirma que os resultados mostram a necessidade de olhar para a obesidade como um processo de longo prazo. Segundo ele, os danos começam antes do que se imaginava e podem persistir ao longo da vida.
O cenário ganha ainda mais relevância diante do aumento global das taxas de sobrepeso entre jovens adultos. Embora a obesidade fosse relativamente rara entre os participantes analisados, a força da associação encontrada indica que o impacto pode ser ainda maior em populações atuais.
*Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca
