
A Nasa, agência espacial norte-americana, comunicou nesta segunda-feira (11/5), o preparo de uma operação inédita para investigar o centro da Via Láctea com a ajuda do telescópio espacial Hubble e o telescópio espacial Nancy Grace Roman, os dois mais avançados telescópios espaciais. Com o objetivo de revelar detalhes do “bojo galáctico”, uma região central da galáxia repleta de estrelas, poeira cósmica e objetos ainda desconhecidos pela ciência, a missão está prevista para setembro deste ano.
O primeiro telescópio a ser lançado será o Roman, que será o principal nessa fase inicial de exploração. O equipamento terá um campo de visão muito mais amplo do que o Hubble, permitindo observar milhões de estrelas ao mesmo tempo e produzir algumas das imagens mais detalhadas já registradas do céu.
Enquanto o Hubble consegue catalogar entre 20 e 30 milhões de estrelas, o Roman poderá ampliar esse número em até 300 milhões. A expectativa dos cientistas é criar um verdadeiro “censo cósmico” da região central da galáxia, ajudando a entender como esses corpos celestes se distribuem e evoluem ao longo do tempo.
Com a estratégia de observar o antes e depois, para fazer uma comparação, em maio de 2025, o Huble iniciou um mapeamento prévio em áreas que serão observadas futuramente pelo Roman. Segundo um dos pesquisadores, Jay Anderson, essas imagens iniciais servirão como referência para determinar qual objeto esteve envolvido em determinado fenômeno.
Como o centro da Via Láctea possui estrelas extremamente próximas umas das outras, os registros anteriores do Hubble permitirão que os pesquisadores identifiquem com precisão quais estrelas sofreram alterações, movimentos ou aumentos de brilho durante eventos astronômicos futuros.
A principal técnica utilizada na missão será a microlente gravitacional, fenômeno previsto pela Theory of Relativity. Nesse processo, a gravidade de um objeto massivo funciona como uma espécie de lente natural, ampliando a luz de estrelas que estão ao fundo. Essa técnica permitirá detectar corpos praticamente invisíveis aos telescópios tradicionais, como planetas sem estrela, pequenos objetos rochosos e até buracos negros isolados vagando pela galáxia.
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Entre os alvos mais curiosos da missão estão os chamados “planetas errantes”, que são mundos que foram expulsos dos sistemas solares e passaram a viajar sozinhos pelo espaço. Os cientistas também esperam encontrar buracos negros de massa estelar, objetos extremamente densos formados após a morte de estrelas massivas, além de corpos do tamanho de Marte que cruzam o campo de visão dos telescópios.
De acordo com o pesquisador Sean Terry, a combinação dos dados coletados pelos dois telescópios permitirá calcular com maior precisão a massa e as características desses objetos celestes. Em vez de estimativas aproximadas, os cientistas poderão determinar, por exemplo, se um planeta possui massa semelhante à de Saturno e qual estrela ele orbita.
Além da busca por exoplanetas e objetos invisíveis, a missão também ajudará a construir mapas detalhados da poeira e do gás cósmico que dificultam a observação do centro da galáxia. Os dados podem abrir novas possibilidades para compreender a formação da Via Láctea e a dinâmica do universo ao redor da Terra.
*Estagiário sob supervisão de Ronayre Nunes
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