
O fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, de 22 anos, sofreu morte súbita causada por uma doença chamada cardiomiopatia hipertrófica, segundo o atestado de óbito emitido pelo Instituto Médico Legal (IML). O atleta foi encontrado morto em seu apartamento, na zona leste de São Paulo, no último sábado (23/5). Em publicações nas redes sociais, ele admitia fazer uso de anabolizantes, substâncias que, segundo especialistas, podem agravar quadros cardíacos preexistentes.
A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença genética caracterizada pelo espessamento anormal do músculo cardíaco, principalmente na parede do ventrículo esquerdo, responsável por bombear o sangue para o restante do corpo. Segundo o cirurgião cardiovascular do Hospital VITA, Fernando Kubrusly essa alteração pode dificultar a saída do sangue do coração e comprometer o funcionamento elétrico do órgão.
“Esse espessamento pode predispor o paciente a arritmias ventriculares graves, que podem levar, inclusive, à morte súbita”, disse ao Correio.
De acordo com a cardiologista Flávia Bassi, do Sabin Diagnóstico e Saúde, a condição afeta a capacidade de relaxamento do coração e pode provocar obstrução na via de saída do ventrículo esquerdo, prejudicando o funcionamento cardíaco global.
Entre os principais sintomas estão falta de ar, dor no peito, palpitações, tontura e episódios de desmaio. No entanto, uma das principais dificuldades para o diagnóstico é que muitos pacientes podem permanecer assintomáticos por anos.
“Existem formas menos graves, geralmente não obstrutivas, que podem evoluir sem sintomas, o que dificulta a identificação precoce”, afirma a médica ao Correio.
Segundo os especialistas, a morte súbita nesses casos costuma ocorrer em razão de arritmias graves, como taquicardia ventricular e fibrilação ventricular. O risco pode aumentar em situações de esforço físico intenso, especialmente em pessoas geneticamente predispostas.
“O exercício físico intenso pode elevar a obstrução da via de saída do ventrículo esquerdo e aumentar a chance de síncopes e arritmias graves”, explica Flávia.
O uso de anabolizantes, como era no caso do Ganley, também pode representar um fator adicional de risco. Conforme a cardiologista, essas substâncias podem favorecer hipertensão arterial, hipertrofia do músculo cardíaco e fibrose, agravando condições já existentes.
“Em indivíduos portadores de cardiopatias, como a cardiomiopatia hipertrófica, o uso sem indicação médica adequada pode aumentar significativamente o risco de complicações cardiovasculares”, alerta.
O diagnóstico é feito por meio de avaliação cardiológica e exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, ressonância cardíaca e, em alguns casos, testes genéticos.
Os médicos orientam que sinais como falta de ar desproporcional ao esforço, dor no peito, palpitações, desmaios e histórico familiar de morte súbita devem motivar investigação imediata, sobretudo entre praticantes de atividade física de alta intensidade.
“Um check-up cardiológico bem conduzido é capaz de identificar fatores de risco e prevenir desfechos graves”, conclui Kubrusly.
Como buscar performance com segurança
Ao Correio, o personal trainer Baltazar Filho, afirmou que alcançar bons resultados físicos depende de disciplina, consistência e acompanhamento qualificado. Embora ele ressalte que o nível de definição exigido no fisiculturismo competitivo não costuma ser atingido sem recursos ergogênicos, afirma que é possível obter evolução expressiva com treino natural.
“É possível ter excelentes resultados desde que a pessoa tenha disciplina e paciência”, afirma.
Segundo o profissional, uma evolução segura está sustentada em quatro pilares: paciência, disciplina, consistência e acompanhamento de profissionais que se baseiem na ciência.
Ele destaca que a supervisão técnica é essencial para evitar excessos, principalmente na progressão de carga.
“O músculo se recupera de forma mais rápida que tendões e articulações. Uma progressão descontrolada pode provocar lesões sérias e afastar o praticante por meses”, explica.
Baltazar também chama atenção para os sinais de overtraining, quadro provocado pelo excesso de esforço sem recuperação adequada. Entre os principais sintomas estão cansaço excessivo, piora da qualidade do sono, queda de desempenho e fadiga física e mental persistente.
Nesses casos, a recomendação é reduzir temporariamente o volume de treino e reorganizar a rotina de exercícios para garantir recuperação completa. Para quem busca resultados sem colocar a saúde em risco, o personal reforça que não existem atalhos.
“A melhor forma de ter resultados rápidos com segurança é fazer o básico bem feito: treinar com constância e qualidade, priorizar a execução correta dos movimentos, manter uma alimentação adequada e respeitar o descanso”, orienta.
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