Um estudo brasileiro, pioneiro no campo genômico da medicina (responsável pelo estudo completo de DNA de um organismo), identificou que diagnósticos de câncer podem acontecer de forma hereditária. Ou seja, incorporados de forma genética, por meio do DNA de parentes diretos.
Publicada no periódico científico The Lancet Regional Health – Americas, a pesquisa comprova que um determinado paciente pode carregar a doença nos próprios genes, predisposição que também pode marcar presença nos materiais genéticos de filhos, irmãos e pais. O estudo é o maior do campo genômico já realizado no país. Faz parte do Mapa Genoma Brasil, incentivada pelo Ministério da Saúde.
O trabalho sequenciou o genoma completo de 275 pacientes com diagnósticos de câncer de mama, próstata ou intestino. Todos foram buscados em hospitais públicos das cinco regiões brasileiras. O projeto concluiu que uma em cada dez pessoas carregava uma mutação genética hereditária. Ou seja, uma falha no DNA responsável por causar aumento drástico no risco de diagnóstico de câncer. Da mesma forma, na possibilidade de passar a condição de geração em geração.
De acordo com a pesquisa, a identificação da mutação hereditária pode mudar o rumo do processo de tratamento de forma imediata.
Um exemplo citável está em casos de pacientes com câncer de mama. Os que recebem este diagnóstico carregam mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2. Com o teste hereditário, passam a ser considerados como elegíveis a receber medicamentos conhecidos como inibidores de PARP (que funcionam em tumores com esse defeito genético em específico). No caso de ausência deste teste, não seria nem mesmo possível considerar a opção de prescrição destes medicamentos.
O grande achado da pesquisa, no entanto, foi a contribuição para a saúde de familiares que tinham mutação genética. Em relação aos familiares dos pacientes diagnosticados que tinham mutação e aceitaram fazer o teste, quase 40% também carregava a mesma alteração no DNA, mas sem o desenvolvimento de qualquer tipo de câncer. Dessa forma, é possível iniciar protocolos de acompanhamento médico de forma antecipada.
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