GEOLOGIA

O que o superaquecimento do magma revela sobre a fúria dos vulcões

Pesquisadores descobrem que o histórico térmico do magma controla sua fluidez; isso pode levar a erupções mais lentas ou a fontes de lava dramáticas

A pesquisa sobre o superaquecimento do magma em erupções como a de Tajogaíta elucida o comportamento vulcânico -  (crédito: Jorge Romero)
A pesquisa sobre o superaquecimento do magma em erupções como a de Tajogaíta elucida o comportamento vulcânico - (crédito: Jorge Romero)

Cientistas identificaram um processo térmico no magma que ajuda a explicar por que sistemas vulcânicos semelhantes podem ter comportamentos eruptivos distintos. O estudo, liderado pela Universidade de Manchester, focou no magma da erupção de Tajogaíta em 2021, na Espanha.

A pesquisa descobriu que o "superaquecimento", um estado onde o magma é aquecido acima da temperatura de estabilidade dos cristais, pode atrasar a formação de novas estruturas cristalinas. Esse processo acontece enquanto o material sobe em direção à superfície.

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Publicado na revista Nature Communications, o trabalho mostra que altas temperaturas dissolvem pequenas "sementes" de cristais que já existem. O superaquecimento também altera a estrutura interna do magma, tornando-o mais uniforme e menos favorável à formação de novos cristais.

Isso influencia a velocidade de subida do magma e a facilidade com que os gases escapam, fatores que determinam o poder explosivo de uma erupção. As descobertas abordam um debate científico sobre como o histórico térmico do magma afeta a cristalização.

A autora principal, Barbara Bonechi, da Universidade de Manchester, afirmou que o histórico de crescimento de cristais e bolhas controla a forma como o magma entra em erupção. Ela explicou que, ao observar esses processos em um vaso de pressão transparente a raios X, foi possível entender melhor a dinâmica em magmas superaquecidos.

Os pesquisadores recriaram as condições vulcânicas em laboratório usando magma da erupção de Tajogaite. Eles utilizaram microtomografia de raios-X na Diamond Light Source, que permitiu observar a cristalização em tempo real, e realizaram experimentos complementares em Praga para observações mais longas.

O magma que não foi superaquecido começou a cristalizar em cerca de 20 minutos. Em contraste, o magma exposto a um forte superaquecimento apresentou um atraso de mais de oito horas para a formação de cristais.

Esses dados foram incorporados em modelos numéricos que simulam a ascensão do magma. Os modelos indicaram que longos atrasos na cristalização permitem que o magma suba rapidamente e com baixa viscosidade, o que pode promover fontes de lava intensas. Por outro lado, o magma que cristaliza mais cedo se torna mais viscoso e sobe mais lentamente, favorecendo erupções mais suaves.

Margherita Polacci, coautora do estudo, disse que os modelos de risco vulcânico costumam focar na química e no gás do magma. Ela destacou que o trabalho sugere que o histórico térmico e a cinética de cristalização também são importantes para a avaliação de riscos.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 08/06/2026 17:22 / atualizado em 08/06/2026 17:22
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