
Fezes de esquilos terrestres, preservadas por milênios no permafrost do Yukon, no Canadá, revelaram uma vasta quantidade de DNA de um ecossistema que não existe mais. O material genético pertence a dezenas de espécies de plantas, insetos, micróbios e grandes mamíferos.
Trata-se de um dos DNAs antigos mais velhos já recuperados e sequenciados. Em um estudo publicado na revista Nature Communications, pesquisadores analisaram amostras coletadas de tocas de esquilos que datam de 30.000 a aproximadamente 700.000 anos atrás.
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Cientistas da Universidade McMaster, do Instituto Hakai e da Universidade de Alberta extraíram o DNA ambiental antigo de pelotas do tamanho de fezes de coelho. A partir delas, remontaram mais de 18 genomas mitocondriais de esquilos terrestres, mamutes-lanosos, cavalos e bisontes-da-estepe.
Os pesquisadores também encontraram evidências de outros roedores e predadores, como lobos-cinzentos e grandes felinos, que poderiam ser pumas ou guepardos-americanos. Mais de 200 grupos de plantas foram identificados no material.
Um ecossistema revelado
Os dados apontaram uma diversidade genética até então desconhecida entre os esquilos-do-ártico. Uma linhagem de 700.000 anos, que não vive mais no Yukon, tem parentes encontrados hoje apenas na Sibéria Ocidental.
Até então, fósseis do período no centro do Yukon eram considerados da mesma espécie encontrada atualmente na região. Os pesquisadores afirmam que as novas evidências mostram que este não era o caso.
“A pesquisa mostra que os coprólitos, ou excrementos, do esquilo-terrestre preservam instantâneos genéticos notavelmente diversos da antiga Beríngia”, afirma o geneticista Hendrik Poinar, um dos autores do estudo.
Ele explica que o material torna-se um repositório excepcional para entender mudanças evolutivas e ecológicas, ajudando a reconstruir paleoambientes e fornecendo informações sobre a evolução da megafauna, sua dispersão e extinção.
Cápsulas do tempo naturais
O esquilo-terrestre-ártico (*Urocitellus parryii*) é conhecido por sua alimentação oportunista, que inclui plantas, fungos, insetos e até carniça. Esse hábito, combinado com a hibernação prolongada em tocas congeladas, criou um registro biológico detalhado do ambiente.
“Eles exploram a paisagem e coletam diversos pedaços de material vegetal, ossos e sementes, levando tudo de volta para suas tocas”, diz Tyler Murchie, principal autor do artigo.
Os excrementos fossilizados parecem preservar o DNA antigo de forma mais eficaz do que ossos ou o permafrost ao redor. Segundo os cientistas, a análise desses genes pode ajudar a entender como os animais de hoje podem se adaptar ao aquecimento do clima.
Recentemente, a Universidade McMaster e o Instituto Hakai receberam 2,3 milhões de dólares para aprofundar a compreensão de como as paisagens se recuperaram de mudanças climáticas no passado. A pesquisa foi conduzida com a permissão da Primeira Nação Tr’ondëk Hwëch’in, em cujo território tradicional o estudo ocorreu.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
