MEDICINA

Novo estudo mostra quem consegue reabilitação intensiva após um AVC

Menos de 25% dos pacientes são encaminhados para o tratamento ideal: pesquisa aponta desigualdades de raça, gênero e até tipo de plano de saúde

A reabilitação intensiva pode melhorar a recuperação de pacientes com AVC, TCE e lesão medular, mas o acesso ainda é desigual -  (crédito: Flow)
A reabilitação intensiva pode melhorar a recuperação de pacientes com AVC, TCE e lesão medular, mas o acesso ainda é desigual - (crédito: Flow)

Menos de um em cada quatro pacientes que sofreram um Acidente Vascular Cerebral (AVC) recebem alta para uma unidade de reabilitação intensiva. O número é ainda menor para pessoas com traumatismo cranioencefálico, com menos de um em cada sete pacientes sendo encaminhado para este tipo de cuidado.

A constatação vem de um estudo publicado na revista "Neurology® Open Access", que analisou 444.908 registros de saúde em cinco estados. A pesquisa, focada em adultos com Acidente Vascular Cerebral (AVC), traumatismo cranioencefálico e lesão medular traumática, revelou que apenas 22% foram para reabilitação hospitalar, enquanto 26% seguiram para casas de repouso e 54% foram para casa.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Leia Mais

  • Sintomas de AVC: saiba como reconhecer e agir rapidamente

  • Os 7 sinais silenciosos que o corpo dá antes de um AVC

  • Hospitais de Sobradinho e do Gama serão referência no tratamento do AVC

Farhaan S. Vahidy, autor do estudo e membro da Academia Americana de Neurologia, destaca que a reabilitação intensiva pode melhorar a recuperação. "As instalações de reabilitação para pacientes internados oferecem cuidados mais intensivos, geralmente mais de três horas por dia, do que as instalações de enfermagem especializada", explicou.

Disparidades no acesso à reabilitação

A análise identificou diferenças significativas no acesso ao tratamento. Mulheres apresentaram 19% mais chances de serem encaminhadas para a reabilitação do que homens. Pessoas negras tiveram 29% mais chances do que pessoas brancas, mas hispânicos registraram uma probabilidade 22% menor.

Contudo, ao comparar apenas os destinos de reabilitação e casas de repouso, pessoas negras tiveram uma chance 10% menor de ir para um centro de reabilitação em vez de uma unidade de enfermagem especializada.

O tipo de plano de saúde também influenciou. Ter um plano privado ou Medicaid, em comparação com o Medicare, foi associado a uma chance 12% menor de alta para reabilitação hospitalar. O mesmo percentual foi observado para residentes de áreas de maior renda em comparação com as de menor renda.

Os pesquisadores ressaltam que os resultados se baseiam em dados administrativos e não permitem determinar relações de causa. Fatores sociais e individuais não registrados nos prontuários não foram considerados na análise.

"Garantir o acesso equitativo à reabilitação intensiva hospitalar pode ajudar a melhorar os resultados a longo prazo para pessoas com essas condições", afirmou Vahidy. "Estudos futuros devem examinar mais a fundo as diferenças nos cuidados e desenvolver intervenções para reduzir as disparidades."

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

  • Google Discover Icon
postado em 10/06/2026 18:11 / atualizado em 10/06/2026 18:11
x