
Pessoas que recebem prescrição de medicamentos GLP-1 tendem a iniciar e interromper o tratamento com mais frequência do que se imagina. A conclusão é de um estudo apresentado no ENDO 2026, o encontro anual da Sociedade de Endocrinologia em Chicago, Illinois, nos Estados Unidos.
A pesquisa buscou responder a duas questões: quantas pessoas com diabetes tipo 2 que usam medicamentos GLP-1 de fato param o tratamento e quantas o reiniciam. A análise foi um estudo de corte retrospectivo com dados de planos de saúde Komodo Health nos EUA, entre janeiro de 2019 e junho de 2025.
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O grupo analisado incluiu adultos de 18 a 64 anos com IMC igual ou superior a 25 kg/m² e diabetes tipo 2. Os participantes iniciaram o tratamento com liraglutida, semaglutida ou tirzepatida. A interrupção foi definida como um intervalo de mais de 60 dias sem renovar a prescrição.
Sainikhil Sontha, pesquisador da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston, afirmou que, usando registros de mais de 60 mil americanos, foi descoberto que cerca de 4 em cada 10 pacientes interromperam a medicação GLP-1 no primeiro ano. Ao final de dois anos, quase 6 em cada 10 haviam parado.
O estudo também revelou um dado encorajador. Mais da metade (41,5%) dos que interromperam o tratamento o retomaram dentro de um ano, e quase dois terços (58%) o fizeram em até dois anos. Segundo Sontha, isso sugere que o uso é mais intermitente do que se pensava.
Fatores que influenciam a interrupção
A análise identificou que pacientes com Medicaid ou Medicare, pacientes negros e aqueles que relataram náuseas ou outros efeitos colaterais gastrointestinais (37%) tinham maior probabilidade de interromper o tratamento em um ano.
A chance de interrupção era 10% menor se o primeiro medicamento GLP-1 fosse prescrito por um endocrinologista. Além disso, a adesão a medicamentos mais recentes se mostrou maior.
Pacientes em uso de tirzepatida apresentaram 41% menos probabilidade de interromper o tratamento em comparação com os que usavam liraglutida. Já os usuários de semaglutida mostraram 28% menos chance de parar do que aqueles em tratamento com fármacos mais antigos.
Sontha destacou a importância da pesquisa, pois o uso consistente dos medicamentos garante seus efeitos protetores. Interromper o tratamento pode significar a perda de oportunidades para prevenir ataques cardíacos e a progressão de doenças renais.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.
