
Uma rocha espacial de apenas alguns quilômetros de extensão acaba de chamar a atenção dos cientistas por um motivo inesperado. Durante um sobrevoo realizado pela sonda Lucy, da Nasa, o asteroide Donaldjohanson revelou características que transformaram uma visita de rotina em uma descoberta importante sobre a história do Sistema Solar.
As imagens e medições divulgadas nesta quinta-feira (18/6) pela agência norte-americana mostram que o asteroide possui formato semelhante ao de um amendoim, gira de maneira instável e ainda guarda marcas de processos que aconteceram há milhões de anos. Os resultados foram publicados na revista científica Science.
A Lucy passou a cerca de 960 quilômetros do objeto em abril de 2025, registrando as primeiras imagens detalhadas já feitas desse corpo celeste. O encontro fazia parte de uma etapa de testes da missão antes da chegada aos chamados asteroides troianos de Júpiter, considerados cápsulas do tempo do início do Sistema Solar.
O que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi o movimento do asteroide. Em vez de girar de forma regular, como a maioria dos planetas e asteroides, Donaldjohanson parece balançar enquanto roda pelo espaço. O comportamento lembra um pião perdendo estabilidade, algo raro de ser observado em objetos desse porte.
Além disso, a superfície tem um desenho curioso. O asteroide parece ter sido formado pela união de dois blocos menores que se aproximaram lentamente após uma colisão antiga. O resultado é uma estrutura com dois lóbulos conectados por uma região estreita, criando a aparência de um amendoim gigante flutuando no espaço.
Segundo Simone Marchi, vice-investigador principal da missão Lucy, cada detalhe observado ajuda a reconstruir a história da formação planetária.
“Cada diferença sutil é mais uma pista para entendermos nossa própria origem”, afirmou o pesquisador.
Outra descoberta importante veio da análise da composição do asteroide. Os instrumentos da Lucy identificaram minerais argilosos ricos em ferro, um sinal de que água líquida esteve presente em algum momento do passado distante desse objeto. Os cientistas acreditam que essa presença foi breve, mas suficiente para deixar marcas químicas preservadas até hoje.
O Donaldjohanson também chama atenção pela idade. Os pesquisadores estimam que ele tenha surgido há cerca de 155 milhões de anos após a destruição de um asteroide maior. Em termos astronômicos, isso o torna relativamente jovem quando comparado a outros objetos semelhantes que existem há bilhões de anos. Agora a missão segue viagem rumo aos asteroides troianos que acompanham Júpiter em sua órbita.
*Estagiária sob supervisão de Paulo Floro.

Ciência e Saúde
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