
Por Letícia Passos
Mulheres que enfrentam ondas de calor e suores intensos durante a menopausa, os chamados fogachos, poderão contar, em breve, com uma nova opção terapêutica no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o registro do fezolinetanto, primeiro medicamento não hormonal indicado especicalmente para o tratamento dos fogachos.
O produto será comercializado pela farmacêutica Astellas sob o nome Veoza e é administrado por meio de comprimidos de uso diário.
Até então, a principal abordagem para aliviar os sintomas vasomotores da menopausa era a terapia hormonal, considerada o tratamento padrão para esses casos. A chegada do fezolinetanto amplia as alternativas disponíveis, especialmente para mulheres que possuem restrições ao uso de hormônios, como pacientes com histórico de câncer de mama, doenças cardiovasculares ou aquelas que simplesmente preferem evitar esse tipo de terapia.
A química por trás
Os fogachos estão relacionados a alterações no funcionamento do hipotálamo, região do cérebro responsável pelo controle da temperatura corporal. Durante o período reprodutivo, o estrogênio ajuda a manter equilibrada a ação da neurocinina B, substância envolvida na regulação térmica.
Com a queda hormonal característica da menopausa, esse mecanismo se desorganiza e o cérebro passa a interpretar de forma equivocada variações normais de temperatura, desencadeando ondas repentinas de calor, vermelhidão no rosto e episódios de suor excessivo, inclusive durante a noite.
O novo medicamento age justamente nesse processo. Em vez de repor os hormônios que diminuem com a menopausa, o fezolinetanto bloqueia os receptores da neurocinina B nos neurônios do hipotálamo, impedindo a ativação excessiva desse circuito e ajudando a estabilizar a percepção da temperatura corporal. Com isso, a tendência é de redução tanto da frequência quanto da intensidade dos sintomas.
- Leia também: Você sabia que esses 30 sintomas são da menopausa?
A aprovação do fezolinetanto foi anunciada pela Anvisa nesta segunda-feira (22/6). Apesar do sinal verde da agência reguladora, o medicamento ainda depende da definição de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) antes de começar a ser comercializado no país. Ainda não há prazo para que essa etapa seja concluída.

Ciência e Saúde
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