Mudanças climáticas

'Alarme do clima está soando em todas as direções', diz ONU, sobre incêndios

Parte da Europa é consumida por incêndios florestais sem precedentes, em um momento de calor extremo, com temperaturas jamais registradas no continente. Chefe do clima da ONU alerta que, sem reduzir o consumo de combustíveis fósseis, crise só vai piorar

Enquanto parte da Europa é consumida por incêndios florestais associados ao calor extremo no Velho Continente, o secretário-executivo das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas, Simon Stiell, cobra ações urgentes para a transição energética e faz o alerta: “O alarme do clima está soando em todas as direções”. Em um comunicado à imprensa, o engenheiro lembrou que a crise é global e tem clara relação com o uso de combustíveis fósseis. “Ao redor do mundo, desastres climáticos estão atingindo proporções catastróficas, à medida que os custos da dependência da humanidade na queima de carvão, petróleo e gás continuam a aumentar vertiginosamente.”

 

Espanha e França somam mais de 120 mil hectares queimados, centenas de casas destruídas e milhares de moradores desalojados. Ontem, o Ministério do Interior espanhol suspendeu a ordem de evacuação em 13 localidades de Madri e Ávila a partir das 17h locais (horário de Brasília), mas o governo se mantém alerta. “Hoje (ontem) podemos ficar um pouco mais tranquilos, mas estamos em horas críticas, falamos de um momento fundamental em que é necessário trabalhar para antecipar a chegada de uma nova onda de calor", declarou à TV pública o ministro da pasta, Fernando Grande-Marlaska.

Previsão de piora 

Os serviços meteorológicos da Espanha e da França preveem um aumento das temperaturas, acompanhado de ventos que podem reavivar as chamas. “Com a previsão de que as temperaturas subam novamente esta semana, os custos terríveis desta crise climática — tanto humanos quanto econômicos — estão atingindo níveis de emergência nacional”, lembrou Simon Stiell.

No comunicado, o executivo da ONU ressaltou que o problema vai muito além da Europa. “No norte da África, as temperaturas estão se aproximando de 49°C, colocando vidas e meios de subsistência em grave risco e sobrecarregando hospitais e sistemas de energia. No Chile, tempestades mortais destruíram casas e vidas. Enquanto isso, no Japão, recordes são quebrados com temperaturas altíssimas, atingindo agora a maior sequência de calor de 40°C já registrada.”

Os desastres são realidade vivida por bilhões em um mundo que aquece rapidamente, destacou Stiell. “Enquanto isso, a humanidade avança muito lentamente da queima de combustíveis fósseis para energias limpas e da proteção de florestas”, criticou.

 


 

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