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Poluição do ar altera tecidos bucais e agrava periodontite

Estudo brasileiro revela que poluentes causam inflamação e aceleram a perda dos tecidos que sustentam os dentes; veja os riscos

A poluição do ar proveniente pode impactar na saúde bucal -  (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A poluição do ar proveniente pode impactar na saúde bucal - (crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Os danos causados pela poluição do ar podem ir além do sistema cardiorrespiratório e atingir a saúde bucal. Uma pesquisa brasileira com camundongos mostrou que a exposição ao material particulado fino (PM2,5), um dos principais poluentes urbanos, provoca alterações na boca e agrava a destruição dos tecidos que sustentam os dentes.

No experimento, que teve apoio da Fapesp, os animais foram expostos ao ar poluído coletado na região da avenida Doutor Arnaldo, em São Paulo, por 30 e 60 dias. Os resultados, publicados na revista "Air Quality, Atmosphere & Health", revelaram que as alterações inflamatórias e estruturais já eram expressivas no primeiro mês.

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Os pesquisadores observaram que o PM2,5 agravou a inflamação nos tecidos periodontais e intensificou a perda óssea alveolar, que compromete a estrutura de suporte dos dentes. Essa degradação é uma das principais características da periodontite, doença associada à perda dentária em adultos.

“Já está bem documentado que a poluição afeta diferentes órgãos. Como a cavidade oral está constantemente exposta ao ambiente externo, imaginávamos que ela também pudesse ser afetada”, afirma Luis Carlos Spolidorio, professor da Faculdade de Odontologia da Unesp em Araraquara e coordenador da investigação.

A pesquisa foi desenvolvida no mestrado de Álvaro Formoso Pelegrin, com a participação de Jhonatan de Souza Carvalho, da Unesp, e de Victor Yuji Yariwake, da USP.

Sinais de inflamação

As descobertas mais surpreendentes ocorreram na mucosa da língua. Mesmo em animais sem periodontite induzida, foram identificadas alterações como espessamento do tecido, aumento da deposição de queratina e maior número de mastócitos degranulados, que são células do sistema imune que liberam substâncias inflamatórias.

O estudo também mostrou aumento da produção de sinalizadores inflamatórios e de estresse oxidativo na língua e nos tecidos periodontais. O estresse oxidativo ocorre quando há desequilíbrio entre a produção de radicais livres e a capacidade de defesa do organismo.

Segundo Spolidorio, as partículas inaladas podem entrar em contato direto com a mucosa oral, causando respostas inflamatórias locais. Outra possibilidade é o impacto nos pulmões induzir uma inflamação sistêmica que afeta outros órgãos, incluindo a boca.

O trabalho serve como ponto de partida para novas pesquisas em odontologia e oncologia. Agora, são necessários estudos clínicos para confirmar os mecanismos em humanos. Os pesquisadores também planejam repetir o experimento com fêmeas para analisar possíveis diferenças imunológicas.

Os autores reforçam que cuidados como escovação adequada, uso de fio dental, alimentação saudável e acompanhamento odontológico continuam essenciais. “À medida que compreendemos melhor os impactos da poluição atmosférica sobre diferentes órgãos e tecidos, torna-se cada vez mais evidente a importância de reduzir a exposição da população aos poluentes atmosféricos”, conclui Spolidorio.

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 26/08/2026 08:46
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