SAÚDE MENTAL

Entenda como a genética pode aumentar risco de depressão em jovens

Pesquisa inédita com jovens brasileiros mostra que genes influenciam a velocidade e a força com que os sintomas da depressão se manifestam na juventude

Estudo da USP, Unifesp e UFRGS investiga a influência da predisposição genética na depressão em jovens -  (crédito: Alex Green/Pexels)
Estudo da USP, Unifesp e UFRGS investiga a influência da predisposição genética na depressão em jovens - (crédito: Alex Green/Pexels)

Crianças e jovens com maior predisposição genética à depressão tendem a apresentar sintomas mais fortes e que se intensificam de forma mais rápida. Quanto maior o risco genético, mais elevados são os níveis iniciais dos sintomas e mais veloz é o seu agravamento durante a adolescência.

A predisposição genética alta também está associada a uma maior frequência de autolesão entre pessoas com Transtorno Depressivo Maior. Essas são algumas das conclusões de um estudo da USP, Unifesp e UFRGS que investigou o "risco poligênico", uma combinação de alterações genéticas que eleva o risco de desenvolver o transtorno.

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A pesquisa acompanhou mais de duas mil crianças e jovens de escolas públicas, com idades entre seis e 23 anos, ao longo da infância e no início da vida adulta. Um dos diferenciais foi validar ferramentas científicas de impacto genético em uma população fora da ascendência europeia. "Populações brasileiras miscigenadas seguem ainda muito pouco presentes na genética psiquiátrica", afirma Marcelo Brañas, pesquisador da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

Segundo Brañas, o estudo buscou entender se o risco genético apenas define um ponto de partida para o transtorno ou se também molda a evolução dos sintomas com o crescimento do jovem.

Um transtorno, várias origens

O Transtorno Depressivo Maior é influenciado por fatores ambientais, como dificuldades socioeconômicas e adversidades na infância. Contudo, existe um forte componente genético, já demonstrado em diversos estudos. "A depressão é multifatorial. Estima-se que cerca de 37% dela, em termos populacionais, está relacionada à genética", explica o psiquiatra.

Esse percentual se refere ao peso da genética nas diferenças entre as pessoas em uma população. Individualmente, não é possível definir com exatidão a contribuição genética para o quadro de cada um. A parte da genética que já pode ser medida diretamente no DNA explica entre 2% e 6% dessa variação.

O risco não vem de um único gene, mas de um conjunto de variações. A medida que soma essas variações, considerando o peso de cada uma, é chamada de escore poligênico. Foi esse escore que a pesquisa calculou e testou ao acompanhar jovens em São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS).

O escore poligênico do estudo explicou entre 2,6% e 3,6% das diferenças no risco para Transtorno Depressivo Maior entre os participantes. Embora o número seja baixo, o resultado é considerado positivo, pois o escore se mostrou mais específico para depressão do que para outros transtornos, como ansiedade ou bipolaridade.

Apesar do avanço, o pesquisador alerta que o uso clínico desses escores ainda está distante. “A gente está começando a elucidar essa história”. Questões sobre possíveis impactos psicológicos e implicações éticas de testes genéticos para transtornos mentais ainda precisam ser amplamente discutidas e estudadas.

Os participantes da pesquisa integram a Coorte Brasileira de Alto Risco para Condições Mentais (BHRC), um estudo que acompanha 2.500 crianças e adolescentes há mais de 15 anos para entender as origens genéticas e ambientais dos transtornos mentais.

*Com informações do jornal da USP

Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.

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postado em 25/08/2026 08:48 / atualizado em 25/08/2026 08:56
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