
A saga “The Last of Us”, que combina jogo e série, continua a despertar curiosidade sobre o fungo que transforma humanos em monstros na ficção. O Cordyceps, que inspira a trama apocalíptica, existe de verdade, mas seu comportamento na natureza é bem diferente e mais específico do que o retratado.
Na vida real, o gênero Cordyceps engloba centenas de espécies de fungos que parasitam principalmente insetos. O mais famoso é o Ophiocordyceps unilateralis (anteriormente classificado como Cordyceps unilateralis), conhecido como o fungo da “formiga zumbi”. O processo é tão fascinante quanto assustador: após infectar uma formiga em florestas tropicais, o fungo controla seu sistema nervoso.
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Ele força o inseto a abandonar a colônia e subir em uma planta até uma altura específica, com umidade e temperatura ideais para o desenvolvimento do fungo. Ali, a formiga morde uma folha com força, travando suas mandíbulas em um “abraço da morte”. O fungo então consome o corpo do inseto por dentro e, por fim, uma haste cresce de sua cabeça, liberando esporos para infectar outras formigas no solo.
Essa manipulação comportamental é o que inspirou os criadores do jogo e da série. Contudo, cada espécie de Cordyceps é altamente especializada em um único tipo de hospedeiro. O fungo que infecta formigas não consegue infectar uma aranha, e vice-versa.
E os seres humanos?
A possibilidade de uma pandemia causada pelo Cordyceps em humanos é, hoje, considerada ficção científica. A principal barreira é a temperatura corporal. O corpo humano, com média de 37 °C, é quente demais para a sobrevivência e proliferação da maioria dessas espécies de fungos, que evoluíram para prosperar no ambiente mais frio dos insetos.
Nosso sistema imunológico também é muito mais complexo e robusto que o de um inseto, sendo capaz de combater infecções fúngicas com eficiência. Para que um salto para humanos ocorresse, o fungo precisaria passar por uma série de mutações genéticas drásticas, algo extremamente improvável.
Curiosamente, outras espécies do gênero Cordyceps (diferentes do fungo parasita de formigas) são utilizadas há séculos na medicina tradicional asiática como suplementos para aumentar a energia e fortalecer o sistema imunológico. Portanto, na realidade, o famoso fungo está mais associado a benefícios para a saúde do que a um apocalipse.
Apesar da licença poética, a obra de ficção acerta ao se basear em um processo biológico real e complexo. A capacidade do Cordyceps de manipular seus hospedeiros continua a ser um dos fenômenos mais intrigantes estudados pela ciência, mesmo que restrito ao mundo dos insetos.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.