Para quem usa lentes de contato, alguns minutos de descuido na rotina podem se transformar em um problema sério para os olhos. Dormir com o acessório, lavá-lo com água, entrar em piscinas ou no mar usando as lentes e ultrapassar o período recomendado de troca são comportamentos que podem favorecer infecções, inflamações e lesões na córnea. O alerta ganha destaque durante o Setembro Safira, campanha de conscientização sobre o uso seguro das lentes de contato.
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No Brasil, mais de 2 milhões de pessoas utilizam lentes de contato, segundo a Sociedade Brasileira de Lentes de Contato, Córnea e Refratometria (Soblec). Apesar de serem uma alternativa segura e eficaz para a correção visual quando bem indicadas e utilizadas, as lentes exigem cuidados específicos. A falta deles pode alterar a superfície ocular e facilitar a ação de microrganismos.
“Os cuidados com as lentes de contato são fundamentais para preservar a saúde ocular. Higienizar corretamente as mãos, respeitar o tempo de uso e armazenar as lentes de forma adequada são medidas simples que ajudam a prevenir complicações”, explica a oftalmologista Priscila Heleno, do CBV-Hospital de Olhos.
Oxigenação
Entre os hábitos que mais preocupam os especialistas, está dormir com as lentes. Durante o sono, a oxigenação da córnea já é naturalmente reduzida. A presença do acessório pode diminuir ainda mais a disponibilidade de oxigênio e criar condições favoráveis à proliferação de microrganismos. Segundo a especialista, o risco de infecções relacionadas às lentes pode aumentar de seis a oito vezes quando a pessoa dorme com elas.
“Dormir com as lentes de contato não deve fazer parte da rotina, a menos que o produto tenha indicação específica para uso durante o sono e isso seja acompanhado por um oftalmologista. Na maioria dos casos, retirar as lentes antes de dormir é uma medida importante para reduzir o risco de infecções e outras complicações”, afirma Priscila.
Água
Outro erro frequente é colocar as lentes em contato com água. Torneira, piscina, mar, rios e lagos podem conter microrganismos capazes de aderir ao acessório e chegar à córnea. Entre as infecções mais preocupantes está a ceratite por Acanthamoeba, doença rara, mas potencialmente grave, que pode provocar dor intensa, inflamação e comprometimento da visão.
Por isso, as lentes não devem ser lavadas nem armazenadas em água. O mesmo vale para o estojo. O soro fisiológico, por sua vez, não substitui as soluções específicas destinadas à limpeza e à desinfecção das lentes.
“A lente de contato nunca deve ser higienizada ou armazenada em água. Também não é recomendado utilizar soro fisiológico como substituto da solução indicada para desinfecção. O usuário deve seguir a orientação do oftalmologista e utilizar o produto específico para aquele tipo de lente”, ressalta a médica.
A recomendação se estende às atividades aquáticas. Quem utiliza lentes deve retirá-las antes de entrar em piscinas, praias, rios ou lagos. O contato com a água pode contaminar o acessório e aumentar o risco de infecções.
Infecções mais graves podem provocar lesões na córnea e, em casos extremos, comprometer a visão. A prevenção, portanto, começa por hábitos simples e pelo respeito às orientações do fabricante e do oftalmologista. Para quem depende das lentes no dia a dia, alguns minutos dedicados à higiene e ao cuidado podem evitar consequências que vão muito além de um simples desconforto.
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