DESCOBERTA

Astrônomos registram planeta gigante moldando gás enquanto ainda se forma

Pela primeira vez foi possível a observação que mostra a interação entre um protoplaneta e o gás ao redor

Astrônomos registraram imagens diretas do
Astrônomos registraram imagens diretas do "redemoinho" onde um protoplaneta interage com o gás no disco protoplanetário circundante. - (crédito: reprodução/Instituto Max Planck de Astronomia)

Astrônomos conseguiram registrar um planeta gigante, chamado de WISPIT 2b, que está a 430 anos-luz da Terra, em formação durante uma modificação de gás ao redor. A observação foi realizada por meioo do Atacama Large Millimeter Array (ALMA) — observatório astronômico de rádio-interferometria de altíssima precisão —  que fica localizado no Chile.  

A descoberta foi liderada pela astrônoma Myriam Benisty, do Instituto Max Planck de Astronomia, e Stefano Facchini, da Universidade de Milão. Os dois combinaram dados do ALMA, com observações em infravermelho feitas pelo Very Large Telescope (VLT). O resultado permite observar diferentes etapas da formação de WISPIT 2b: o planeta, o disco de gás e a poeira onde ele nasceu e a interação entre os dois.

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Um “raio” denuncia a presença do planeta

Em vez de observar apenas a luz refletida pelo planeta, os pesquisadores analisaram o movimento do gás por meio da emissão de monóxido de carbono (CO). Nos mapas de velocidade, apareceu uma estrutura em formato semelhante a um raio exatamente na região de WISPIT 2b.

O padrão é chamado de assinatura cinemática planetária e ocorre porque a gravidade do planeta altera o movimento do gás no disco. A análise mostrou que a perturbação se estende pela chamada esfera de Hill, região na qual a influência gravitacional do planeta é dominante.

O sinal observado é maior do que o esperado para um pequeno disco de gás diretamente ao redor do planeta. Segundo os pesquisadores, ele também envolve estruturas produzidas pela interação gravitacional de WISPIT 2b com o disco, além de aquecimento e material que está sendo incorporado ao planeta.

Dois planetas estão remodelando o disco

WISPIT 2b não é o único planeta conhecido do sistema. O segundo, WISPIT 2c, também é um gigante gasoso e está associado a uma grande cavidade no interior do disco. Enquanto 2b abriu uma lacuna em sua região orbital, 2c parece bloquear grande parte do material que atravessa o disco.

Entre as órbitas dos dois planetas, os astrônomos encontraram um anel fino de gás e poeira, indicando que parte da matéria consegue passar pela região afetada por 2b. As observações também indicam que 2b ainda está acumulando material. Já não foram encontrados sinais equivalentes de acreção ativa em 2c.

Por que a descoberta importa?

Imagens de estruturas em discos protoplanetários (disco de matéria em órbita em torno de uma estrela recém-formada) já haviam fornecido indícios de que planetas jovens alteram o material ao seu redor. O diferencial de 2b é permitir observar o planeta e a alteração do movimento do gás na mesma região.

Isso pode ajudar os astrônomos a entender quando estruturas semelhantes, como os chamados redemoinhos de gás, são provocadas por planetas ainda não detectados e quando podem ter outras origens.

O disco de WISPIT 2b esta entre os mais jovens brilhantes e extensos já observados em emissão de CO, o que facilita o estudo de sua estrutura. Além dos dois planetas já identificados, uma estrutura externa de poeira levanta a possibilidade de existir um terceiro planeta ainda não detectado.

Para os pesquisadores, novas observações com instrumentos mais potentes poderão revelar outros sistemas em que planetas gigantes sejam vistos em diferentes estágios de formação, ajudando a entender processos que também ocorreram quando Júpiter e Saturno estavam nascendo no Sistema Solar.

*Estagiária sob supervisão de Aline Gouveia

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postado em 01/10/2026 13:53
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