
A promessa de "beleza em cápsulas" ganhou um respaldo científico. Um estudo publicado no Journal of Cosmetic Dermatology registrou redução de rugas e aumento da elasticidade da pele em mulheres que tomaram, por oito semanas, um suplemento oral com antioxidantes e componentes simbióticos (combinação de probióticos e fibras que os alimentam). O resultado, porém, vem de um grupo pequeno de participantes, e precisa ser confirmado em estudos de maior porte.
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Participaram 36 mulheres de 35 a 55 anos, moradoras da região de Sacramento, nos Estados Unidos, com linhas finas e rugas no rosto. Metade tomou uma cápsula diária do suplemento e a outra metade, placebo, sem saber qual recebia. A fórmula combinava astaxantina (pigmento antioxidante extraído de microalgas), glucomanana de konjac, três cepas de bactérias do gênero Bacillus e frutooligossacarídeos.
As rugas foram avaliadas por fotografia facial e por aparelhos não invasivos que medem a pele. Após oito semanas, o grupo do suplemento teve redução de 5,3% na gravidade das rugas, diferença considerada estatisticamente significativa em relação ao placebo. A elasticidade das bochechas subiu 22% na quarta semana e 14% na oitava, e a firmeza aumentou 12%. O grupo placebo não teve mudanças.
“Uma redução de cerca de 5% é um sinal interessante para a ciência, mas, na prática, dificilmente é algo que a paciente vai perceber no espelho”, afirma a dermatologista Thaís Teles, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Para recomendar um suplemento no consultório, são necessários estudos com mais gente e por mais tempo.
Outra pesquisa, publicada em 27 de julho no mesmo periódico revisou 12 ensaios clínicos com suplementos orais de plantas, publicados entre 2020 e 2025. Os estudos avaliavam elasticidade, hidratação, profundidade das rugas e capacidade antioxidante da pele. Os autores viram potencial nos resultados, mas apontaram limitações: amostras pequenas, fórmulas muito diferentes entre si e falta de padronização nas medições.
Cautela
“Antioxidante não é tudo igual, e mais não é necessariamente melhor”, diz Teles. “Em dose alta, algumas substâncias podem interagir com medicamentos. Por isso, a paciente não deve montar o próprio protocolo a partir de propaganda ou de redes sociais.”
Segundo a dermatologista, o envelhecimento da pele depende sobretudo de fatores como exposição ao sol, genética, alterações hormonais e tabagismo. O Sol, sozinho, responde pela maior parte do envelhecimento visível do rosto.
O que tem evidência
Para Teles, a prioridade continua sendo o que já foi exaustivamente testado: protetor solar diário, retinoides tópicos prescritos por médico e, em alguns casos, vitamina C aplicada na pele. “O suplemento pode, no futuro, ser um complemento. Hoje, quem gasta com cápsulas e esquece o protetor está invertendo as prioridades”, afirma.
Ela recomenda que, antes de comprar qualquer suplemento com promessa estética, a consumidora procure orientação médica, desconfie de alegações como “rejuvenescimento” ou “fim das rugas” e verifique se o produto está regularizado na Anvisa.
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