
Quem sofre depressão e ansiedade sabe a peso que é viver com os esses transtornos. Para ajudar as pessoas, principalmente aquelas que não têm acesso a tratamento na rede privada, pesquisadores do Centro de Pesquisa e Inovação em Saúde Mental (CISM), vinculado à Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), desenvolveram um aplicativo para monitorar e aliviar os sintomas dos pacientes. O Conemo agora é disponibilizado em todas as 18 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Indaiatuba, interior de São Paulo.
Pelo aplicativo, os usuários têm acesso a sessões interativas com textos, áudios e vídeos que apresentam estratégias para reconhecer emoções, lidar com a ansiedade e incorporar atividades prazerosas à rotina. Já o painel digital permite que os profissionais das UBSs acompanhem os casos identificados e os indicadores de saúde dos pacientes. Segundo a equipe do projeto, tecnologias digitais podem ajudar a alcançar de 70% a 80% das pessoas que vivem em comunidades sem acesso a serviços de saúde mental. A ferramenta, que não dispensa o acompanhamento profissional e individualizado, busca ampliar a assistência e contribuir para atender à demanda das unidades básicas.
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“É um trabalho que já tem três anos de colaboração. Nós fizemos primeiro o estudo piloto, depois implementamos a plataforma Conemo em três UBSs e, agora, estamos em um momento bastante inédito, até no Brasil, que é a implementação da plataforma para todas as UBSs de Indaiatuba. Isso vai ter um impacto enorme no aumento de acesso à atenção à saúde mental para a população que tem sintomas de depressão e ansiedade”, afirma Paulo Rossi Menezes, líder do projeto, em nota.
Desenvolvido a partir de 2014, o Conemo foi avaliado em dois estudos realizados entre 2016 e 2018: um com 880 pessoas em São Paulo; e outro, 420 participantes em Lima, no Peru. Na pesquisa, 610 pessoas utilizaram o aplicativo durante seis semanas. Os resultados apontaram uma redução mais rápida dos sintomas de depressão entre os usuários da ferramenta em comparação com o grupo de controle.
Com os resultados, os pesquisadores ampliaram a proposta para incluir estratégias voltadas à ansiedade e aprimoraram a tecnologia. Em agosto de 2024, Indaiatuba iniciou um projeto-piloto. No início de 2026, a plataforma também passou a ser oferecida em três UBSs da cidade e em outras três de Jaguariúna, no interior paulista. Entre os resultados iniciais, a equipe identificou interesse dos usuários pela ferramenta e potencial para rastrear sintomas na população.
Para Heloísa Garcia Claro, pesquisadora do CISM e docente da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a expansão permitirá atender mais pessoas que precisam de apoio psicológico. “Elas poderão ter acesso a esse tratamento psicológico de baixa intensidade, especialmente pacientes com sintomas leves a moderados desses dois transtornos”, afirma. A equipe, formada por psicólogos, psiquiatras e pesquisadores, acompanha a evolução dos participantes e analisa dados clínicos e sociodemográficos para avaliar os resultados da intervenção.
Palavra de especialista
Trabalho e parceria
Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), terapeuta e paciente trabalham em parceria, com metas claras, para identificar padrões de pensamento e de comportamento que mantêm o problema e desenvolver novas habilidades para lidar com ele. Entre as técnicas mais usadas estão a psicoeducação, a ativação comportamental e a reestruturação de pensamentos. É justamente esse tipo de estratégia que aparece no aplicativo: conhecimento sobre emoções, prática de atividades prazerosas e manejo dos sintomas de ansiedade, em sessões organizadas e progressivas. Ferramentas assim ampliam o acesso ao cuidado, sobretudo em casos leves a moderados. É importante, porém, entendê-las como complemento, e não substituto, do atendimento psicológico: quadros mais graves ou complexos continuam exigindo avaliação e acompanhamento profissional individualizado e especializado. Considero importante, ainda, que o aplicativo seja monitorado por uma equipe de psicólogos preparados para atuar em casos de risco de suicídio ou em outras demandas mais complexas que surgirem. E torço para que iniciativas como essa se multipliquem, sempre com rigor científico e cuidado humanizado.
Juliana Claudia, psicóloga clínica, especialista em TCC e psicologia perinatal
Estagiária sob supervisão de Marcelo Abreu
Estratégia
Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), terapeuta e paciente trabalham em parceria, com metas claras, para identificar padrões de pensamento e de comportamento que mantêm o problema e desenvolver novas habilidades para lidar com ele. Entre as técnicas mais usadas estão a psicoeducação, a ativação comportamental e a reestruturação de pensamentos. É justamente esse tipo de estratégia que aparece no aplicativo: conhecimento sobre emoções, prática de atividades prazerosas e manejo dos sintomas de ansiedade, em sessões organizadas e progressivas. Ferramentas assim ampliam o acesso ao cuidado, sobretudo em casos leves a moderados. É importante, porém, entendê-las como complemento, e não substituto, do atendimento psicológico: quadros mais graves ou complexos continuam exigindo avaliação e acompanhamento profissional individualizado e especializado. Considero importante, ainda, que o aplicativo seja monitorado por uma equipe de psicólogos preparados para atuar em casos de risco de suicídio ou em outras demandas mais complexas que surgirem. E torço para que iniciativas como essa se multipliquem, sempre com rigor científico e cuidado humanizado.
Juliana Claudia, psicóloga clínica, especialista em TCC e psicologia perinatal