Visão do Direito

O fim da escala 6x1 esconde riscos previdenciários

"m tese, o modelo suaviza os impactos previstos, mas o cenário de transição nos próximos dois anos esconde uma armadilha de complexidade operacional"

Douglas Farah, co-CEO e diretor de Operações na AG Taxtech -  (crédito: Divulgação/Guedert Films)
Douglas Farah, co-CEO e diretor de Operações na AG Taxtech - (crédito: Divulgação/Guedert Films)

Por Douglas Farah* — As equipes de gestão de pessoas, que já enfrentam o desafio de gerenciar demandas multidisciplinares dentro das empresas, poderão se deparar com um cenário ainda mais complexo e pouco explorado devido à iminente reorganização das jornadas de trabalho com o fim da escala 6X1. Essas mudanças tendem a redefinir tanto as relações trabalhistas quanto a carga previdenciária das empresas.

O texto a ser avaliado pelo Senado traz, inicialmente, a promessa de uma transição equilibrada, com prazo de dois anos para que as empresas se adaptem às reduções graduais na carga horária semanal máxima e com uma compensação financeira para os empregadores advinda da redução de custo com FGTS. Em tese, o modelo suaviza os impactos previstos, mas o cenário de transição nos próximos dois anos esconde uma armadilha de complexidade operacional.

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As empresas, essencialmente suas equipes de gestão de pessoas, precisarão gerenciar simultaneamente uma demanda de reajustes contratuais com a parcela da força de trabalho que não se encaixar mais nos limites máximos semanais, readequar, custos operacionais e estruturar processos de recontratação.

Paralelamente, o impacto na rotatividade ainda não é claro, e parece ser uma equação específica para cada setor e seu contexto. Se, por um lado, a diminuição de carga semanal pode reduzir os índices de burnout e, por consequência, a rotatividade das empresas, por outro, a redução do custo do FGTS e da multa pode incentivar uma aceleração nos programas de desligamento nas empresas. Mesmo que este movimento não gere uma demanda adicional de recontratação, o impacto operacional para a área de gestão de pessoas será relevante.

Além disso, o reflexo da transição poderá ser ainda mais relevante para alguns setores específicos da economia. Segmentos como varejo, alimentação, saúde, e segurança, por exemplo, muitas vezes dependem diretamente da escala 6x1 e de mão de obra intensiva em um mercado de trabalho com escassez de profissionais qualificados. A reorganização da força de trabalho em escalas 5x2 pode representar um desafio operacional intenso, que novamente recairá sobre os times de gestão de pessoas. Em alguns cenários e setores econômicos, as novas diretrizes representarão renúncia de receita.

Soma-se a esse novo desafio o peso perene de se manter atualizado em relação às constantes mudanças da legislação, jurisprudências e diretrizes infralegais relativas à tributação sobre a folha. Prevejo que esse desafio, já bastante imponente no cenário atual, pode se tornar praticamente impossível para os times internos de gestão de pessoas após a aprovação do texto conforme foi encaminhado ao Senado. E as consequências disso podem se tornar evidentes apenas a longo prazo.

Portanto, a gestão fiscal estruturada ganha importância crucial, tornando indispensável o apoio de especialistas em tecnologia tributária previdenciária para mitigar riscos, proteger o negócio e, muitas vezes, identificar oportunidades tributárias de reforço ao caixa neste momento de transição.

Co-CEO e diretor de Operações na AG Taxtech*

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postado em 18/06/2026 04:00
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