MÚSICA

Baterista do Duran Duran fala ao Correio sobre novo momento da banda

Em entrevista, Roger Taylor, baterista do Duran Duran, fala sobre o retorno dos shows e a relação com o Brasil

Pedro Ibarra
postado em 08/11/2021 06:00
Banda inglesa Duran Duran      -  (crédito:  Build Up Media/Divulgação)
Banda inglesa Duran Duran - (crédito: Build Up Media/Divulgação)

Uma das bandas que marcaram a música nos anos 1980, Duran Duran está retomando as atividades conforme a pandemia dá sinais de arrefecimento. Com a possibilidade de shows, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, o grupo retoma os trabalhos com o novo álbum, Future past, lançado no dia 22 de outubro.

O disco marca a volta da banda com faixas inéditas, o que não acontece desde 2015. Para Roger Taylor, baterista da Duran Duran, o grupo investiu em uma forma diferente de fazer música. "É um excelente trabalho, acredito que é o disco com a sonoridade mais orgânica que fizemos nos últimos tempos", afirma o artista, pontuando a importância do produtor Erol Alkan, responsável por algumas mudanças sonoras no novo trabalho. "Fomos muito liderados pela produção nesse disco. Nós, geralmente, estamos envolvidos nas produções dos nossos discos, mas, desta vez, confiamos em uma equipe particularmente boa para fazer esse álbum. Erol Alkan chegou cheio de energia e adicionou uma nova visão e direção ao nosso som", lembra o baterista.

"Acho que tudo que fazemos é bem espontâneo, nós temos uma noção do que precisamos fazer atualmente e nós não tememos a mudança e eu acho que essa é uma das melhores coisas do Duran Duran. Não temos medo de trilhar um novo caminho", destaca sobre alterar a sonoridade nesta nova fase da carreira.

Por mais que tenha feito carreira no pop rock, a banda explorou diversos territórios e sons durante os, aproximadamente, 40 anos de atividade. Sobre essa trajetória, Roger não vê orgulho como a melhor palavra para classificar o que viveram até o momento. "Existe um ditado na Inglaterra que diz: 'o orgulho geralmente chega pouco antes da queda'. Então, nós nunca nos permitimos ficar orgulhosos demais, nem de olhar para trás e viver da nostalgia", pondera o artista.

O que rege o Duran Duran é a mudança. "Eu acho que o Duran Duran nunca está satisfeito. Somos um grupo de pessoas que quer sempre avançar mais", explica. Para Taylor, a motivação da banda vem de buscar sempre o novo. "Nós estamos sempre pensando o que vem em seguida, o novo projeto, a próxima turnê. Acho que nós somos um grande grupo de pessoas insatisfeitas, e é isso que nos mantém motivados", brinca.

Volta aos palcos

Com o maior controle da pandemia em alguns lugares do mundo, muitos grupos começam a fazer shows e o Duran Duran é um deles. O grupo fez pequenas apresentações em Birmingham, na Inglaterra, cidade natal dos integrantes, e se apresentou na base de Londres, no festival Global Citizen, evento de 24 horas transmitido on-line e com música e política como principais temas. "O que mais nos impressionou foi a reação do público nos shows, foi quase como voltar à histeria de antigamente, eu só consigo atribuir isso ao fato de que as pessoas não nos veem faz tempo e pelo público estar faminto por música ao vivo", conta Roger.

"É incrível estar de volta", fala o baterista. "O mais legal talvez foi ver que as pessoas não estavam só cantando as coisas mais velhas como também os lançamentos mais recentes, ficamos muito felizes com isso", adiciona Taylor sobre as primeiras apresentações. "Temos a esperança de, se a pandemia continuar diminuindo, nós conseguirmos fazer muitos shows no ano que vem", completa.

Curiosamente, a banda tem apresentado no novo repertório o single Tonight united, que fala sobre uma noite de união, e a música tem virado um hino para os tempos de retomada do público aos shows. "Foi pura coincidência, porque nós escrevemos essa música bem pouco antes da pandemia", rememora o baterista. "Quando deixamos o estúdio, literalmente uma semana depois a pandemia se tornou uma realidade. Talvez nós tenhamos tido algum tipo de pressentimento ou premonição, é tudo tão irônico agora", brinca. "O que importa é que agora nós estamos nos reencontrando e reunindo, e eu acho que todas as melhores coisas ocorrem por acidente e esta música certamente foi uma delas", completa.

A ligação com os fãs também trouxe outra percepção à banda, de que eles conquistaram as gerações mais novas. "Uma das coisas mais empolgantes dos últimos shows foi a quantidade de pessoas jovens na audiência, pessoal de vinte e poucos anos sabia todas as letras", diz Taylor. O grupo atribui o fato, principalmente, às novas tecnologias. "O streaming e a internet, provavelmente, tiveram muita importância nesse processo, porque agora qualquer pessoa pode encontrar qualquer tipo de música, de qualquer lugar do mundo. A concepção de música mudou, você pode ter contato com a música de qualquer geração", analisa o artista. "Então, realmente parece que nós conseguimos cruzar gerações, pelo menos até agora", complementa.

Ainda sobre a relação com os fãs, Roger Taylor cita o Brasil como um dos lugares mais únicos que o Duran Duran já tocou. "Nós sempre temos ótimos momentos quando vamos ao Brasil, o país tem uma certa vibração que não existe em nenhum outro lugar do mundo. Nós amamos o país e mal podemos esperar para voltar", conta o baterista sobre os novos tempos.

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