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'Não olhe para cima' gera repercussões e comparação com governo brasileiro

Novo filme da Netflix causa discussões on-line sobre críticas a anticiência e ao negacionismo

Pedro Ibarra
postado em 28/12/2021 06:00 / atualizado em 28/12/2021 11:48
 (crédito:  Niko Tavernise/Netflix)
(crédito: Niko Tavernise/Netflix)

Um dos filmes mais antecipados do ano nos streamings, Não olhe para cima chegou à Netflix e causou o alvoroço esperado. O filme, que estreou na véspera de Natal, tem provocado uma forte repercussão on-line.

O longa do cineasta Adam McKay conta a história de dois cientistas que descobrem um meteoro em uma trajetória de colisão com a terra. Os dois, então, decidem avisar o governo e a mídia, porém ninguém dá a devida importância para o fato de proporções potencialmente apocalípticas, transformando um meteoro de quilômetros de diâmetro em um simples jogo de opiniões políticas e de marketing.

Não olhe para cima trabalha em roteiro simples, que não se aprofunda nas histórias dos personagens, e que, muitas vezes, parece jogar na tela muitas informações ao mesmo tempo em uma mimetização da realidade. Porém, apesar de ser superficial, a forma como a produção põe o dedo na ferida é contundente e verdadeira. O longa está cotado para temporada de premiações, porque explica um dos principais problemas do mundo de forma simples e compreensível.

A crítica do filme dialoga diretamente com os tempos atuais. Negacionismo, anticiência, politização dos discursos e polarização são questões que o longa traz, mas que já podiam ser vistas no mundo há anos, principalmente no Brasil. A similaridade com os atuais embates sociais do Brasil gerou uma repercussão intensa na internet. Um dos fatos mais recorrentes nas redes sociais são os personagens do longa comparados a funcionários do alto escalão do governo.

"Quem conhece o Brasil e o fascismo — com sua veia negacionista e anticiência — não vai ver muita novidade", escreveu a autora e professora Marcia Tiburi nas redes sociais. Natalia Pasternak, cientista e presidente do Instituto Questão de Ciência, lembrou em postagem de uma participação em um programa na qual perdeu a paciência com os apresentadores por tentarem levar com "humor e leveza" a pandemia, situação similar á do filme. "Esse filme se encaixa perfeitamente com a realidade do Brasil", postou a microbiologista no Twitter.

A ativista política Patrícia Lelis aproveitou o longa para alfinetar o Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro. "Será que o Bolsonaro vai processar o filme Não olhe para cima por plágio ao seu governo?", comentou nas redes.

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