Intervenção

Artista "anexa" lote de 800 m² de Goiânia ao território de Ceilândia

A fixação da placa "Este território pertence a Ceilândia" faz parte do Salão Nacional de Arte Contemporânea de Goiás, do qual Gu da Cei e outros 32 artistas de todo o país participam

Naum Giló*
postado em 06/06/2022 17:26 / atualizado em 06/06/2022 17:51
Artista Gu da Cei ao lado da placa fixada próxima à Prefeitura de Goiânia (GO) -  (crédito: Isadora Bezerra )
Artista Gu da Cei ao lado da placa fixada próxima à Prefeitura de Goiânia (GO) - (crédito: Isadora Bezerra )

Conhecido pelas intervenções artísticas nas cidades do Distrito Federal, Gu da Cei leva sua arte para áreas urbanas de Goiânia (Goiás). “Este território pertence a Ceilândia”, avisa a placa fixada pelo artista em um lote de 800 m², próximo à Prefeitura da capital goiana, relembrando, mais uma vez, a pecha de invasores injustamente atribuída aos candangos que ergueram a tão sonhada nova capital da República.

A intervenção faz parte do Salão Nacional de Arte Contemporânea de Goiás, que começa 7 de julho e vai até 30 de setembro, no Museu de Arte Contemporânea. O ceilandense foi um dos indicados pela curadoria para participar da mostra com outros 32 artistas de todo o Brasil.

Ceilândia nasceu a partir da remoção das famílias da Vila do IAPI, em uma ação da Campanha de Erradicação de Invasões (CEI), de onde veio o nome da cidade. Considerados invasores, cerca de 82 mil pessoas foram transferidas para longe da região central de Brasília, cidade que esses mesmos “invasores” ajudaram a construir.

“A ação parte de um resgate da história de Ceilândia. Me aproprio e problematizo o título de invasores que foi dado para a população da cidade. Faço da intervenção urbana uma invasão, evidenciando o processos de ocupação de territórios e direito à moradia”, explica Gu, que também lembra que, hoje, a região de onde as famílias foram removidas se tornou um setor de mansões.

Projeção de Gu da Cei no Centro Cultural Oscar Niemeyer
Projeção de Gu da Cei no Centro Cultural Oscar Niemeyer (foto: Matheus Barros )

O Centro Cultural Oscar Niemeyer também foi palco para a arte de Gu da Cei. O artista fez projeções com frases como “Ceilândia capital do Brasil”, “pule as catracas da imaginação”, “arroz, feijão e cultura" e "invasor na capital”.

Gu da Cei é artista visual, produtor cultural e curador da Galeria Risofloras, em Ceilândia. Desenvolve o seu trabalho artístico no âmbito da intervenção urbana, instalação, poesia, performance, fotografia e vídeo, além de promover discussões sobre vigilância, imagem, direito à cidade e transporte coletivo. Gu é ganhador do Prêmio de Arte Contemporânea Transborda Brasília e foi selecionado para o Prêmio EDP nas Artes, realizado pelo Instituto Tomie Ohtake.

*Estagiário sob a supervisão de Juliana Oliveira

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