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'Quero que meninas pretas cresçam se vendo na tevê', deseja Bia Santana

Mal desembarcou da sua primeira novela, "Elas por elas", a atriz Bia Santana, de 21 anos, encarou uma nova viagem em "Volta por cima", agora às 19h

Os últimos dois anos têm sido intensos e transformadores para Bia Santana. Com apenas 21 anos, a atriz e modelo embarcou na segunda novela consecutiva: ela mal se despiu da Vic de Elas por elas (2023) e teve que vestir o figurino da Tati, de Volta por cima (2024). Apesar do desafio de encarar uma obra de televisão de alcance nacional com tão pouca experiência, em ambos trabalhos, a moça — que, assim como sua personagem atual, ainda utiliza transporte coletivo público — abraçou a oportunidade de se reencontrar nas telas com a sua própria vivência de zona norte carioca, após passar um período em São Paulo, para onde se deslocou em nome da paixão pela moda.

Para Tati, porém, Bia precisou mergulhar fundo em um universo alheio à sua realidade, até então: a cultura coreana. É que, na trama assinada por Claudia Souto às 19h, a irmã da protagonista Madá (Jessica Ellen) é uma aficionada por k-dramas e apaixona-se por um astro diretamente saído dessas produções. "Foi um processo muito intenso, mas que me trouxe muito prazer e aprendizado", afirma. Em entrevista, a intérprete ainda defende a personagem, que tem adotado atitudes de vilania ao longo da narrativa. "Tati só precisa de alguém que a entenda e a ajude a se encontrar", argumenta.

Lucio Luna/Divulgação -
Lucio Luna/Divulgação -

Entrevista | Bia Santana

Como foi a sua preparação para se despir da Vic de Elas por elas para encarnar a Tati de Volta por cima?

Quando fui convidada para viver a Tati, estava ainda com o fim de Elas por elas na cabeça, foi um choque de realidade. A Tati é uma personagem totalmente diferente da Vic. A preparação foi bem profunda: comecei a estudar o universo dos K-dramas, que era completamente novo para mim, assisti a várias produções, fiz aulas de coreano, porque a personagem tem essa relação com a cultura coreana. Foi um processo muito intenso, mas que me trouxe muito prazer e aprendizado. Me dediquei para fazer a Tati de forma autêntica e única.

E a sua conexão com a cultura coreana para se preparar para a Tati? Como está essa relação hoje com os fãs de K-pop e K-drama?

A conexão foi imediata, logo que soube que a Tati seria minha, comecei a me aprofundar nesse universo. O primeiro K-drama que assisti foi Uma advogada extraordinária e, a partir daí, não parei mais. Fui até a Liberdade, em São Paulo, fazer uma pesquisa de campo, observei os fãs, como se comportavam, como se vestiam. Isso foi fundamental para construir a personagem. Hoje, minha relação com os fãs de K-pop e K-drama é muito especial; eu recebo um carinho imenso deles e me sinto muito honrada por representar esse grupo tão apaixonado.

Como se sente por estar, em suas duas primeiras novelas, em um núcleo principal preto?

Eu ainda estou processando a grandiosidade de tudo isso. É algo muito poderoso, um marco para a história da televisão brasileira, tantas mulheres pretas no ar. Ver a representatividade de mulheres pretas em papéis principais me emociona muito. Meu maior desejo é que isso não seja algo pontual, mas que se perpetue, que meninas pretas cresçam vendo essas representações na televisão e se sintam empoderadas. É lindo fazer parte dessa mudança. 

Tati tem assumido uma faceta de vilania. Se precisasse atuar como advogada de defesa dessa jovem, qual seria o seu argumento principal?

Se eu fosse a advogada de defesa da Tati, diria que ela não é vilã, mas sim uma jovem que está lidando com as próprias inseguranças e conflitos internos. Ela é alguém que ainda está aprendendo a lidar com o mundo e com as pessoas ao seu redor. Sua faceta de vilania é mais uma defesa, uma reação à sua vulnerabilidade. Tati só precisa de alguém que a entenda e a ajude a se encontrar.

Volta por cima fala do transporte público coletivo. Você ainda consegue andar de ônibus ou metrô?

Sim, eu ainda ando de ônibus e metrô. Acho que o transporte coletivo é um reflexo da realidade de muita gente, e estar próxima dessa realidade é muito importante. Eu sou de uma realidade em que andei muito de ônibus e metrô, então, ainda consigo me conectar com essa vivência. Acho que, inclusive, o transporte coletivo tem uma força simbólica importante na novela, porque traz à tona questões de classe, e de como lidamos com o espaço público.

 


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