Música

Alok lança EP com releituras remixadas de sucessos de Gilberto Gil

Alok e amigos realizam remixes de sucessos conhecidos na voz de Gilberto Gil, como Palco, Toda menina, Maracatu atômico e Tempo rei, com a participação do compositor baiano

Gilberto Gil e DJ Alok em parceria: olhar eletrônico -  (crédito: Divulgação)
Gilberto Gil e DJ Alok em parceria: olhar eletrônico - (crédito: Divulgação)

Eternizadas na voz de Gilberto Gil, as canções Palco, Toda menina baiana, Maracatu atômico e Tempo rei ganharam nova versão, com roupagem eletrônica. O projeto de Alok e dos DJs Bhaskar, Maz, Mozambo, Unfazed e WatzGood resultou em um EP, lançado em dezembro, que teve participação de Gil durante o processo. "O remix, nesse caso, não é pra mudar nada, é para ampliar, abrir caminhos", diz Alok ao Correio. O objetivo, continua o DJ, é "olhar para a obra do Gil por outros ângulos".

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Gilberto Gil nunca teve medo de experimentar. Em 1967, junto à banda de rock psicodélico Os Mutantes, o compositor baiano provocou furor ao apresentar Domingo no parque ao Terceiro Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, em arranjo, de Rogério Duprat, que incluiu a guitarra elétrica. Naquele período, o instrumento era contestado pela associação ao "americanismo" e pela suposta afronta às bases da música brasileira. A ousadia pavimentou o Tropicalismo, que, em 1968, com Tropicália ou Panis et Circencis, bagunçou de vez as fronteiras entre música nacional e estrangeira, a partir da fusão de gêneros como baião, bossa nova e rock. Em Domingo no parque, Gil fazia a mixagem de berimbau com guitarra.

A guitarra entrou de vez na sonoridade de Gil. No disco homônimo de 1969, que ficou conhecido como "Cérebro eletrônico", título da primeira faixa, o tema da relação entre homem e máquina já se apresentava. "O cérebro eletrônico faz tudo/Faz quase tudo/Faz quase tudo/Mas ele é mudo", dizem versos da canção. No mesmo disco, Futurível discute elementos do mesmo tema: "Você foi chamado, vai ser transmutado em energia/Seu segundo estágio de humanóide hoje se inicia/Fique calmo, vamos começar a transmissão/Meu sistema vai mudar/Sua dimensão".

No decorrer da carreira, Gil se apropriou das novas tecnologias para  lançar novos olhares sobre a música popular brasileira. Em Parabolicamará, disco de 1991, a faixa título sintetiza essa discussão, como ele mesmo conta, no seu canal do Youtube. "Foi exatamente a emergência da cultura cyber, cibernética, do ciberespaço, especialmente as comunicações eletrônicas modernas, que motivaram a canção. A parabólica é o símbolo da chegada desse mundo, dessa tecnologia, ao Brasil." Em entrevista ao Correio, Alok explica aspectos que o levaram a conceber Gil by Alok & Friends Remixes.

Três perguntas para Alok

Como define esse projeto?

É um encontro de gerações que se cruzam, de ideias que se escutam, de caminhos musicais que se encontram no meio do caminho. Ele nasce da vontade de criar uma ponte entre a música brasileira e a eletrônica. Não é só pegar uma música e remixar, sabe? É olhar para obra do Gil por outros ângulos, sentir o que ela carrega. No fim das contas, é a música seguindo o seu caminho natural de transformação, como um diálogo entre tempos diferentes, criando uma ponte entre o ontem, o agora e o que ainda vem.

Como se deu a escolha das músicas para remixar?

Essas músicas atravessam o tempo. Elas falam de liberdade, de amor, de consciência, de espiritualidade, coisas que continuam fazendo sentido hoje. O Gil também participou do processo, fazendo observações, relatando as histórias das composições, isso tudo ajudou na escolha. Então, foi uma dinâmica compartilhada, mas que também envolveu a conexão emocional que eu tenho com as músicas e do quanto elas conversam com as novas gerações. O remix, nesse caso, não é para mudar nada, é para ampliar, abrir caminhos e fazer com que essas canções, sempre vivas, ganhem novas cores, pulsem em outros contextos, em outras pistas, pelo mundo afora.

Qual a sensação de trabalhar com o Gilberto Gil em um projeto que reuniu também seus amigos DJs?

Trabalhar com o Gil é muito especial. Ele é uma referência gigante, não só na música, mas como pessoa. Estar com ele, ao lado de DJs que são meus amigos e que eu admiro muito, cria um clima de troca muito verdadeiro. E o mais bonito é ver como ele continua super aberto ao novo, curioso, querendo experimentar. Esse projeto é muito coletivo, todo mundo soma, cada um chega com sua identidade, sempre com muito respeito e escuta.

*Estagiários sob a supervisão de Severino Francisco

 

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JP
postado em 06/01/2026 06:00 / atualizado em 06/01/2026 11:44
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