
A moda mundial se despede de um de seus maiores nomes. O estilista italiano Valentino Garavani morreu nesta segunda-feira (19/1), aos 93 anos, em sua residência, em Roma. Reconhecido como um dos pilares da alta-costura do século 20, ele construiu um império baseado na sofisticação, no rigor estético e em uma visão de elegância que atravessou décadas sem perder relevância.
Nascido em 1932, na cidade de Voghera, no norte da Itália, Valentino demonstrou desde cedo uma sensibilidade artística aguçada. Seu interesse não se limitava à moda. Arquitetura, escultura e artes visuais faziam parte de seu repertório criativo e ajudaram a moldar o olhar preciso que mais tarde se tornaria marca registrada.
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Ainda jovem, decidiu estudar desenho de moda em Milão. Aos 18 anos, seguiu para Paris, onde teve contato direto com o universo da alta-costura ao frequentar instituições de prestígio e trabalhar como aprendiz em ateliês consagrados. Essa vivência foi decisiva para a construção de seu estilo, que unia disciplina francesa e paixão italiana.
O retorno à Itália marcou o início de uma trajetória autoral. Em 1960, estabeleceu o próprio estúdio em Roma e, pouco tempo depois, apresentou a primeira coleção de alta-costura em Florença. O desfile chamou atenção imediata e posicionou Valentino como um dos grandes talentos emergentes da moda europeia.
Durante os anos 1960, sua projeção internacional foi impulsionada pela adesão de figuras influentes ao seu universo criativo. Atrizes de Hollywood, socialites e mulheres da alta sociedade passaram a vestir suas criações, atraídas por uma estética que equilibrava luxo, feminilidade e precisão técnica. A esposa de John F. Kennedy e ex-primeira-dama dos Estados Unidos, Jacqueline Kennedy Onassis, teve papel central nesse processo, transformando Valentino em sinônimo de elegância moderna ao adotar suas roupas de forma recorrente.
Vermelho Valentino
Entre os símbolos mais duradouros de sua obra está o vermelho que leva seu nome. O tom intenso e sofisticado tornou-se assinatura da maison e atravessou coleções, décadas e gerações. Mais do que uma escolha estética, a cor passou a representar a identidade da marca, sendo incorporada tanto nas linhas de alta-costura quanto em propostas mais contemporâneas e jovens.
Outro marco da carreira ocorreu nos anos 1980, quando Valentino entrou para a seleta Câmara Sindical da Alta-Costura francesa, feito raro para um estilista italiano. O reconhecimento reforçou sua autoridade criativa e abriu caminho para trabalhos emblemáticos, incluindo vestidos de noiva para integrantes da realeza e criações que marcaram eventos históricos.
Ao longo dos anos, a marca se expandiu para além das passarelas. Perfumes, acessórios e linhas prêt-à-porter ajudaram a consolidar a Valentino como uma grife global, mantendo o compromisso com materiais nobres, acabamento impecável e uma estética atemporal.
Em 2007, após décadas à frente da maison, Valentino anunciou sua aposentadoria. A despedida foi celebrada com um desfile memorável em Paris, reunindo modelos icônicas e sintetizando o espírito de uma carreira marcada por rigor, romantismo e excelência. Desde então, diferentes diretores criativos deram continuidade ao legado, reinterpretando seus códigos sem romper com a essência da marca. Atualmente, a direção criativa está sob comando de Alessandro Michele, que sucede uma linha de estilistas responsáveis por manter viva a herança deixada pelo fundador.
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