Cinema

Visão de passado e futuro: o Torre Palace estará em documentário local

Foi por um vazio de luto e o medo da perda de memórias que a equipe concebeu o projeto Brasilia All Exclusive, com incentivos do Fac (Fundo de Apoio à Cultura do DF)


Em 2007, às margens do Setor de Clubes Sul, Brasília testemunhou uma implosão de prédio monumental, fato repetido, em 2010, no Setor Hoteleiro Norte e, um ano depois, vieram abaixo o Hotel das Nações e o Alvorada Hotel. Num retrospecto, o futuro documentário Brasília All Exclusive desponta como documento de memória, com a implosão do Torre Palace, no domingo. "É um acontecimento incomum e que muda drasticamente o cenário. Todos estavam acostumados a coexistir com aspectos de abandono. Havia lembrete diário de descaso com questões sociais", comenta a diretora Paula Santiago.

"Me identifico com o Torre Palace, na cidade, porque meu pai foi um dos construtores de Brasília, algo que acompanhei desde a minha infância. Contar essa história é importante, porque ela, de certa forma, não estará mais aqui para que as pessoas despertem curiosidade por ela", pontua a produtora Claudia Queiroz.

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Afundada em detalhes técnicos, ela celebra o fato vindouro de, enquanto o filme existir, trará a história de um ícone da cidade que veio ao chão. "A gente espera que o que vai surgir no lugar do Torre seja como uma fênix, ressurgido não das cinzas, mas dos escombros", acredita Claudia.

Motivações diversas moveram curiosos que estiveram no local da implosão, fosse pela identidade junto ao local, fosse por antigo trabalho ou mesmo por comoção e evento midiático. Paula Santiago acompanhou o enredo de desocupação (por pessoas em situação de rua), em 2016. "Notei questões sociais que permeiam abandonos, algo que me perturba. Ver o prédio ir ao chão é uma lembrança também de superação, de reconstrução, e de continuidade de outras lutas, como a busca por direito a busca por moradia digna", pontua a diretora.

Entre gritos e celebração, brasilienses testemunharam o evento supervisionado sob forte esquema de segurança disposto pela Secretaria de Segurança Pública. Do outro lado do Oceano Atlântico, na Itália, o produtor de audiovisual Patrick de Jongh sentiu a vibração, ao lado da esposa Cibele Amaral, também coprodutora do filme.

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"Nos organizamos para ter muitas câmeras e drones filmando várias perspectivas diferentes do acontecimento. Foi uma demolição no centro da cidade, muito mais próximo da Rodoviária do que a do estádio (que teve implosão parcial, em 2011). São muitas histórias a ser contadas sob uma perspectiva cinematográfica mas, ao mesmo, tempo sensível", avaliou Jongh.

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