Crítica // Me ame com ternura ★★★★
Uma longa trama de separação se aninha em Me ame com ternura, da francesa Anna Cazenave Cambet, uma produção que competiu no segmento Um Certo Olhar do Festival de Cannes. Vicky Krieps interpreta a protagonista, no papel mais intenso e dramático; justo ela que já esbravejou em enredos densos comandados por M. Night Shyamalan (Tempo), Paul Thomas Anderson (Trama fantasma) e Mia Hansen-Løve (A ilha de Bergman).
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Com um quê de Meryl Streep, no drama clássico Kramer vs. Kramer, Krieps é, no filme, a escritora Clémence enfiada num casamento que não há mais como remendar. Baseado em texto autobiográfico de Constance Debré, a protagonista se vê desgastada, num relacionamento minado (em todos os sentidos) pelo ex-marido Laurent (Antoine Reinartz, de 120 batimentos por minuto). Quem sofrerá mais é Paul, o filho (personagem personificado por Viggo Ferreira-Redier).
Junto com os amores passageiros, de tonalidade lésbica, Clémence tenta se ajustar a necessidades individuais, mas sempre com vistas ao estreitamento de laços com Paul, mantido à distância, num artifício de sabotagem. Para além da destacada montagem de Joris Laquittant, o filme se sustenta com a sólida presença de Krieps, que chegou a disputar o European Film Awards de melhor atriz, posto perdido para a candidata ao Oscar Renate Reinsve, de Valor sentimental.
