
Verônica Ferriani considera ter sido "daquelas crianças sortudas" porque cresceu ouvindo Nara Leão, por incentivo dos pais. Desde então, conta a paulista, a Musa da Bossa Nova, sem nem saber, plantou um repertório estrutural na formação musical da cantora, que lembra do samba carioca chegando a Ribeirão Preto (SP), onde nasceu, com Diz que fui por aí, Opinião e O Sol nascerá, na voz da artista que morreu precocemente, aos 47 anos. Nesta quarta-feira (25/3), Verônica apresenta esses e outros sucessos interpretados por Nara no palco do Clube do Choro, a partir das 20h30.
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"Para além da memória afetiva que o repertório da Nara desperta em nós — tantas canções lembram histórias de nossa vida, não é? — vejo nela três símbolos artísticos muito inspiradores a nós, artistas que viemos depois: o trânsito livre entre gêneros musicais, sempre mantendo sua personalidade na forma de tocar e interpretar canções de diversas geografias e épocas; a autonomia da mulher que empunha o violão e se apresenta sozinha no palco, pouco comum à época; e também certa despretensão vocal em seu canto, tanto pela pouca importância do volume de voz quanto pela interpretação sem exageros, recursos estilísticos que fizeram escola", lista a cantora paulista.
Para Verônica, ter uma voz tão diferente de Nara, além de uma forma distinta de se expressar, é o que a faz se sentir livre para buscar interpretações próprias sobre o repertório da Musa da Bossa Nova. "Mesmo ao violão, sigo sua linguagem harmônica, mas também faço escolhas ou intervenções sentindo, de toda maneira, que seu legado me atravessa por ouvi-la desde pequena. A proximidade com sua obra me deixa à vontade", revela a artista. No formato voz e violão, o show marca a primeira apresentação da cantora paulista sozinha no palco.
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Quase quatro décadas após a morte da musa, Verônica se propõe a apresentar um breve resumo da grandiosidade que foi Nara Leão. "Busco não só reunir um vasto cancioneiro gravado por ela, como também contar histórias, contextualizar os períodos, mostrar mais detalhes musicais até, dentro daquele meio musical do qual ela fez parte", descreve a cantora. No show, são apresentadas mais de 30 músicas, costuradas por meio de uma viagem no tempo, adianta a paulista.
"Nara segue sendo chamada de Musa da Bossa Nova e seu reconhecimento vem desde as reuniões em seu apartamento", aponta Verônica. Mas, para ela, o mais encantador é observar como a cantora capixaba rapidamente ampliou horizontes, tornando-se, também, Musa da Tropicália. "Ela fez ponte com compositores de samba do morro que provavelmente não se popularizaram tanto se não fosse pela sua voz", destaca a cantora. "Gravou chachas, boleros, guarânias e valsas, e revisitou, à sua maneira, o repertório caipira, sempre com versões muito pessoais", acrescenta.
Serviço
Verônica Ferriani canta Nara Leão
Quarta-feira (25/3), às 20h30, no Clube do Choro. Ingressos podem ser adquiridos por meio da plataforma on-line Bilheteria Digital, a partir de R$ 45.

Diversão e Arte
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