Morta em 2019, aos 90 anos, a cineasta belga Agnès Varda teve uma relevância alta para o cinema mundial, não apenas como a mais idosa indicada ao Oscar (pelo documentário Visages, villages, em 2018), mas ainda no papel de precursora da Nouvelle Vague, em que mergulharam nomes como François Truffaut, Eric Rohmer e Jean-Luc Godard. Como forma de perpetuar sua arte, haverá programação, de amanhã até 31 de março, no Cine Brasília (EQS 106/107), integrada em De lá para cá — Uma mostra da Varda. Os ingressos custam R$ 10 (a meia).
Ativa na reciclagem de alimentos e militante em filmes como Saudações, cubanos!, a ex-estudante da Ecole du Louvre adorava romper com narrativas, participar das obras e dividir "descobertas e emoções" nos processos. No Cine Brasília, amanhã, às 18h50, será mostrado Murs Murs, documentário de 1981 que conta as histórias de paredes pintadas nas ruas de Los Angeles. Vale a lembrança de que Varda era formada em história da arte, e, incialmente, pretendia ser curadora de museu. Daí, a importância de Daguerrótipos (dia 24, às 20h), exame da Rua Daguerre, em que viveu o profissional criador dos primeiros artefatos fotográficos.
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Na segunda-feira, às 20h30, serão mostrados Panteras Negras e Os renegados, pela ordem, curta de 1968 ligado nos protestos californianos contra a prisão de Huey P. Newton, e o longa vencedor do Leão de Ouro em Veneza. Nele, a hippie Mona (Sandrine Bonnaire, premiada com o César) não encuca com a solidão: recusa, sistematicamente, trabalho, prezando uma vida à margem.
Vencedora de prêmios no Festival de Berlim e reconhecida com Palma de Ouro Especial (em Cannes, na edição de 2015), a diretora de ascendência franco-grega chegou a recebeu ainda um Oscar especial. Na mostra, o dia 29 privilegia dois filmes fundamentais: Os catadores e eu (às 18h) e Cléo das 5 às 7 (às 20h). No primeiro, de 2000, ela comprova a ineficiência de se acumular riquezas em vida, enquanto Cléo das 5 às 7 (1962) se detém numa angustiante jornada de jovem cantora que espera resultados de exames de saúde.
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A mostra inclui o musical Uma canta, a outra não (1977), que revela desdobramentos do movimento feminista entre duas transformadas amigas. Dia 30 de março concentra obra vital, a ser exibida às 18h, Jacquot de Nantes (1990). Feito no ano da morte do marido e diretor Jacques Demy, o filme vem embalado por cenas de clássicos como Pele de asno (1971) e Lola (1960).
