
Foram necessários 10 anos de pesquisa para Moacir Macedo chegar ao formato final de Geração Cabeças, o documentário que apresenta hoje, às 20h, no Cine Brasília. Desde 2016, o pesquisador vasculha acervos, sobretudo particulares, em busca de imagens em filme ou fotografia do movimento icônico criado por Neio Lúcio no final dos anos 1970. "Nós digitalizamos muitos acervos, centenas de fotografias e negativos, fizemos um trabalho de cooperação com as pessoas que ajudaram a fazer o Concerto Cabeças e envolvemos outros eventos que ocorreram no período em que o Cabeças esteve ativo", explica.
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A ideia foi resgatar uma história que começou com a Galeria Cabeças, idealizada por Neio Lucio em 1978 e que tornou-se um pólo agregador de artistas e poetas com séries de concertos e recitais, na área comercial da 311 Sul. "A gente está resgatando um período que, na verdade, nunca foi documentado sobre o movimento Cabeças, e a gente traz a visão das pessoas que participaram daquilo, poetas, músicos, produtores, artistas gráficos", diz Macedo. "Queremos homenagear especialmente o Neio Lúcio, o Guilherme Reis e o Eurico Rocha, que participou desde a concepção, mas que é pouquíssimo falado. Então trazemos um pouco da história dessas pessoas no documentário."
O pesquisador conseguiu reunir algumas preciosidades para o documentário e recuperou um filme em Super 8 realizado ainda da época dos concertos na 311 Sul, além de imagens de Cássia Eller cantando ao lado de Janette Dornellas na rampa do Parque da Cidade. "Tem muita foto inédita e conseguimos digitalizar os próprios negativos. É um trabalho de garimpo", garante o documentarista, que também fez questão de entrevistar, ao longo da última década, figuras como Alexandre Ribondi, Hugo Rodas e Guilherme Reis, que ajudaram a dar corpo ao movimento.
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O Cabeças começou na 311 Sul, mas, aos poucos, migrou para outros pontos da cidade. Primeiro, foi para o Parque da Cidade e para a 312 Norte, para depois seguir para cidades como Taguatinga e Gama, nas quais se associou a outros movimentos, como o Festival Rolla Pedra. "De forma fixa, o Cabeças durou mais ou menos até 1987, depois disso foram revivals, um ou outro concerto", explica Macedo, que ainda não tem data para a entrada em circulação do documentário e depende de conseguir salas de cinema que recebam o filme.
Serviço
Geração Cabeças
Filme de Moacir Macedo. Nesta quinta-feira (23/4), às 20h, no Cine Brasília.

Diversão e Arte
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