Quase três anos passaram e o time do primeiro longa-metragem animado em torno do fenômeno dos jogos eletrônicos da Nintendo — que faturou US$ 1,3 bilhão — retorna: constam os diretores Aaron Horvath, Michael Jelenic e Pierre Leduc, isso além de o mesmo roteirista, Matthew Fogel. A equipe é idêntica, mas a proposta parece ter mudado Super Mario Galaxy: O filme, com o produto mais infantilizado. Engenhocas voadoras, robô gigante, e princesas estão no cotidiano de pequenas estrelas (que se proliferam), que, em momentos ternos, esperam pelo sono, ao sinal do que indica a mãe delas, a princesa Rosalina: "é (ouvir) historinha, e caminha".
Autor do roteiro de Minions 2: A origem de Gru, Matthew Fogel administra personagens que objetivam a destruição do Reino Cogumelo e até mesmo do universo. Dentro das possibilidades, eles até são engraçados — mas a atenção maior recai sobre os heróis, metidos em cenários e situações que emulam os palácios da Disney e um quê de Guardiões da Galáxia. Depois de capturada, Rosalinda, sem saber, abre espaço para que os irmãos Luigi e Mario tomem conta do Reino Cogumelo. Criada a narrativa em etapas, aventuras, dinâmicas e coloridas, vêm como que associadas à estética dos jogos.
Uma espécie de aeroporto, o portal celestial tem muita presença na história. Um personagem pontua também a dimensão do novato Yoshi, "dinossauro (que entra) do nada, e já é da galera?!". Yoshi até tentou a convivência com humanos, mas estava destinado à inusitada parceria com os simpáticos irmãos encanadores. Fox McCloud, uma raposa habilitada para as viagens entre galáxias, também bate ponto no filme que aposta em adaptação.
Num dos momentos mais divertidos, despontam as versões bebês para Mario e companhia, quando Luigi, bebê, comemora que "os pensamentos assustadores (dos adultos) desapareceram". Até o nascimento do Senhor dos Ossos (ou Senhor Caveira) aparecer, a ação e muitas incertezas ficam fixadas na possibilidade de recaída, na maldade, do outrora monstruoso Bowser (rei dos Koopas, que ainda arrasta a "versão Jr.", seu filho). Entre ameaças e reencontros, afetividade e agressividade, o filme trata de sentimentos intensos. Atente para as duas cenas extras associadas aos créditos.
Renovação de fé
Artista de muitas produções de cinema, especialmente integrado aos departamentos de arte de produções como Dumbo, Trovão tropical, O Poderoso Chefão e ainda a série Piratas do Caribe, o diretor Mauro Borrelli assina, sob a intenção de perspectiva completa, o longa A última ceia.
No papel de Cristo, Jamie Ward circula junto aos apóstolos no Cenáculo (em Jerusalém), local que marcou episódios universalmente reconhecidos, antes de ele ser crucificado. Foi a partir de atenta observação de obra de Leonardo da Vinci (feita em fins do século 15), que o diretor se entusiasmou para recriar a escalada de traição, provas de lealdade e ainda a ressurreição — tudo retratado no filme.
No longa, Judas Iscariotes ganha a interpretação de Robert Knepper, enquanto Nicodemos é papel reservado a Henry Garret e James Oliver Wheatley dá vida ao histórico personagem Pedro. Com momentos tensos, outros recheados de afetos, o filme se apoia na fé, para repasse de ensinamentos e de registros que tocam o ritual do lava-pés e o despontar da eucaristia. Na produção, Vladislav Opelyants assina a direção de fotografia e Leo Z responde pela trilha sonora.
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