
Crítica // Minha querida família ★★★
Um raio pode cair no mesmo lugar, por duas vezes, especialmente quando estão em jogo vidas e destinos das personagens que cercam a de Élodie Bouchez, Estelle, em Minha querida família (filme da francesa Isild Le Besco). Com roteiro de Raphaëlle Desplechin (Turnê), Steven Mitz (Um caso comum) e da diretora, o drama pesa na violência física e psicológica de todos os filhos da matriarca Queen, vivida por Marisa Berenson, eternamente lembrada pelos trabalhos em Cabaret, de 1972, e Barry Lyndon, de 1975.
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Num sentido figurado, reis, príncipes e demais realezas têm altas desavenças, num encontro em família que promete concentrar rusgas de toda uma existência. A disfuncionalidade é coletiva e se origina na imagem confusa (do passado) em que cavalos pretos adentram o mar, num banho bastante perigoso.
Élodie (de A vida sonhada dos anjos, que lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes de 1998) está mais do que bela e convincente como a mulher que escapa de um fracassado casamento com Antonio (Steffano Cassetti), um italiano violento. Fugindo do ex, ela cairá numa terapia em grupo, em que todos os seus parentes têm algo a ser redimido.
Há do irmão postiço Jean-Luc (Elie Semoun) ao irmão quase desconhecido por todos, Marc (Axel Granberger), passando pela enlouquecida e dominadora Janet (Jeanne Balibar), capaz de enlouquecer todos. Isild Le Besco, também atriz, interpreta a plácida Manon, enquanto Michael (um senhor de boa energia apaixonado por Queen) é interpretado pelo sensível Geoffrey Carey. Com um elenco absurdo (dispersivo, é verdade, em alguns breves momentos), o filme é enxuto, apesar de acumular tantas camadas de agitação.
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