Depois de anos pesquisando ingredientes nativos e dialogando com comunidades, a chef Bel Coelho percebeu que era urgente construir uma narrativa que não fosse apenas culinária, mas também política, ecológica e afetiva. Voou para o Pará em 2025 e deu início a uma pesquisa com foco na sociobiodiversidade de três áreas — Baixo Tocantins, Xingu e Tapajós —, onde entrevistou e fotografou comunidades extrativistas da região. O resultado está no livro Floresta na boca, que tem ilustrações de Marina Aranha e que Bel lança hoje, durante um encontro com o público no Night Lab, realizado no Sesi Lab.
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A 27ª edição do evento conta ainda com Ana Frango Elétrico e com a nutricionista Bruna Crioula para um encontro que tem como tema a alimentação vista a partir dos pontos de vista da linguagem, da cultura e da ciência. Proprietária dos restaurantes Cuia e Clandestina, em São Paulo, e jurada do Iron Chef Brasil, produzido pela Netflix, Bel também é conhecida pelo ativismo que une cultura, sustentabilidade e gastronomia. "Chefs têm um poder simbólico e econômico enorme. Somos mediadores entre o campo e a cidade, entre quem produz e quem consome. Quando um chef escolhe um ingrediente, ele ativa cadeias inteiras — produtivas, culturais e ambientais. Portanto, nosso engajamento não é opcional, é responsabilidade", explica. "A gastronomia pode reforçar modelos predatórios ou pode ajudar a regenerar territórios e valorizar quem cuida deles."
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O livro Floresta na Boca nasceu de uma inquietação antiga: Bel sempre teve a sensação de que a gastronomia brasileira conhece pouco os biomas nacionais e, consequentemente, não os valoriza. "Minha maior preocupação foi não transformar a floresta em exotismo ou tendência. Eu queria que o livro fosse uma ponte ética, que respeitasse os saberes tradicionais, reconhecesse as assimetrias de poder e mostrasse que biodiversidade e cultura são inseparáveis", conta. Em entrevista, ela explica como foi a experiência de descobrir no Norte enquanto um bioma rico para o universo da gastronomia e da sustentabilidade.
Serviço
Night Lab
Nesta quinta-feira (9/4), às 19h, no Sesi Lab. Ingressos: R$ 40 e R$ 20 (meia). Não recomendado para menores de 18 anos
