Crítica

Uma reflexão sobre o futebol e o mundo está no documentário de Zico

Documentário traz a carreira do maior ídolo do Flamengo, atleta singular que abriu caminho para gloriosa era do time carioca

Crítica // Zico, o Samurai de Quintino ★★★

Antes de mais nada, é preciso deixar claro: essa crítica é feita por um flamenguista e pode haver desvios rumo ao clubismo! Em cartaz nos cinemas, Zico, o Samurai de Quintino é um documentário sobre a carreira do maior ídolo do Flamengo, jogador que marcou época e abriu o caminho para uma era vitoriosa do clube carioca. Sem dúvida, é o maior ídolo dos rubro-negros. Todas as gerações de torcedores, mesmo aqueles que não o viram jogar, o reverenciam, ou pelo menos deveriam. Fãs de outros clubes não têm a mesma admiração. Faz parte.

O documentário de João Wainer faz um importante retrato do futebol brasileiro dos anos 1970 e 1980, auge de Zico, e mostra a transição do semiamadorismo para a transformação do esporte num negócio gigante. O desfile de gols e de títulos de Zico emociona os rubro-negros e a construção da carreira do craque, com apoio dos pais e irmãos — o patriarca exigia educação e estudos em primeiro lugar —, a partir de Quintino, um bairro quase esquecido do subúrbio que ganhou fama justamente com Zico. O mesmo aconteceu com Kashima, cidade japonesa onde o jogador foi rei, ou melhor, samurai!

A figura forte e pragmática de Sandra, a mulher que o acompanha desde a adolescência; a revelação de que a ditadura militar perseguiu um dos seus irmãos e tirou Zico das Olimpíadas de Munique (1972); a perda do amigo e jogador Geraldo, de 22 anos — morreu numa cirurgia de amídalas —; a entrada brutal de Márcio Nunes — uma pessoa que não merece nenhum perdão! — , que destroçou o joelho do craque; e a perda do pênalti na copa de 1986 são importantes passagens do documentário que vão agradar mesmo os não-flamenguistas e amenizam o desfile de gols e títulos pelo Flamengo.

A trajetória de Zico como dirigente e pelo governo federal tiveram pouca atenção no documentário. Os entrevistados também não empolgam. Parreira, Ronaldo Fenômeno e outros convidados pouco acrescentam. Mas vale a pena ver o Zico, um craque de dimensões históricas, em uma vida comum, bem diferente dos bilionários astros desta geração, mergulhados nas redes sociais e na ostentação. Mais do que uma homenagem, o filme vale como reflexão sobre o futebol.

 

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