teatro

Remontagem de 'A serpente' traz Nelson Rodrigues visto por olhar feminino

Peça protagonizada e dirigida por Anna Helena Madruga, no Rio de Janeiro, enfoca relação entre duas irmãs, em temporada até 10 de junho. Ator com trabalhos no audiovisual, Gabriel Barreto atua no elenco e na produção do espetáculo

A montagem de A serpente, que entrou em cartaz no Rio de Janeiro, propõe um deslocamento radical na leitura da obra de Nelson Rodrigues. Sob a direção e protagonismo de Anna Helena Madruga, a história de duas irmãs que vivem com seus maridos no mesmo apartamento no Rio de Janeiro de 1978 abandona a chave da rivalidade para explorar o amor trágico e a dependência emocional entre elas — uma decisão desastrosa muda seus destinos para sempre.

Com 48 anos, o texto de Nelson Rodrigues revela-se surpreendentemente atual. A diretora destaca que a peça aborda machismo, feminicídio e homofobia, “fatos atemporais” que a sociedade ainda não superou em 2026. “Nelson sempre foi atemporal. Felizmente para a crítica e infelizmente por ainda sofrermos isso como sociedade em 2026”, resume Madruga, que assume pela primeira vez a dupla função de dirigir e atuar.

O elenco conta ainda com Carol Mattos, Deco Almeida, Lucas Garbois e Gabriel Barreto — este último também coprodutor do espetáculo e peça-chave na idealização do projeto ao lado da mãe da diretora, Jaciara Ritter. 

Para Anna Helena Madruga — atriz, diretora, preparadora de atores e professora de interpretação na CAL, natural de Uruguaiana (RS) e radicada no Rio há 13 anos —, A serpente realiza um duplo sonho: homenagear o dramaturgo que admira e imprimir um olhar feminino a personagens de “camadas absurdas”. “Quero trazer esse olhar feminino, tirando a história desse ponto de vista da rivalidade e contando o do amor entre duas irmãs que fazem de tudo para não perder uma à outra”, conta.

A diretora reconhece o desafio de acumular as duas funções, mas afirma encarar a experiência com seriedade e prazer, amparada por uma equipe que inclui a assistente de direção Bels Ferrari e o marido, Gabriel Barreto, cuja formação em direção teatral e audiovisual foi fundamental na concepção do projeto.

“Eu me joguei em algo que jamais havia feito, mas sabendo que estava rodeada de pessoas que podiam me resgatar caso eu estivesse me afogando, como algumas vezes já aconteceu", conclui Anna. 

Ator, diretor, roteirista e produtor, Gabriel Barreto vive um momento de trânsito promissor entre diferentes frentes audiovisuais. Formado em artes cênicas pela CAL, com três pós-graduações na área e atualmente cursando direito, integrou o elenco de três temporadas da série Reis, na Record, está na quinta temporada de Arcanjo Renegado, do Globoplay, e protagonizou duas novelas verticais do aplicativo ReelShort: o fenômeno de audiência Com licença, eu sou o Big Boss e A negociação do bilionário (título provisório) — esta com lançamento em breve. Paralelamente, o ator integra o elenco de A vida de cada um, novo longa do cineasta Murilo Salles e estreará um filme na Disney+.

Além da frente interpretativa, Gabriel finalizou seu segundo curta-metragem como diretor, roteirista e ator: Tudo que quisermos aborda os dilemas de um casal diante da decisão de engravidar ou não, com elenco que inclui Anna Helena Madruga. Sua primeira produção no formato foi o curta Eu não sou poeta.

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