Crítica // Supergirl ★★★
Perdas acumuladas em "muito mais do que um dia" embalam alguns dos personagens de Supergirl, com roteiro baseado na graphic novel de Tom King e Bilquis Evely Supergirl: Mulher do amanhã. Não apenas no ecoar de Garota de Ipanema, usada na fita, reside a presença brasileira estendida ainda para a roteirista Ana Nogueira, descendente de brasileiro. Ao deparar com uma jovem desamparada, a "pequena selvagem" Ruthye (Eve Ridley), do dizimado Clã Dinastia, Kara (a Supergirl, vinda da cidade Argo do planeta Krypton, e interpretada por Milly Alcock) indica o caminho que ela mesma segue, quase à risca: "ser nem sempre perfeita, mas sempre boa".
Kara vê o primo Superman (um conselheiro de muitas videochamadas) como um "nerd fofo", de coração "jovem e leve". À altura do primo, sem ser nerd, o cachorro dela, Krypto, vai desencadear boa parte da trama. O roubo de uma espada, o destino de um antídoto (de posse de vilões), certo desprezo por uniforme de heroína e alianças suspeitas, particularmente com o intratável Lobo (o motoqueiro aloprado e rude, a cargo Jason Momoa) movem o filme conduzido, na modulação nada mais do que "correta", por Craig Gillespie (dos inspirados A garota ideal, Cruella e Eu, Tonya).
Entre quedas de braço em tavernas e numa atmosfera que parece moldada por Star Wars, Kara enfrentará Krem das Colinas Amarelas (papel do belga Matthias Schoenaerts), com menos gana aparente do que quando entorna vários mililitros de bebidas alcoólicas. Milly parece mais à vontade na persona inconsequente e impulsiva, numa trama bastante dependente do destinos de naves, já que as ações passeiam por vários planetas, e que se conecta à malévola atuação dos Bandoleiros.
Muito impede a plena felicidade da Supergirl, e isso é explorado na medida no longa-metragem, que à dada altura joga com a antiação de ver Kara, estagnada, pelo fato de o poder dela estar condicionado ao sistema solar. Milly alcança uma identificação com o público jovem, e pela desenvoltura lúdica que imprime. Num filme que explora sem muito aprofundamento o aprisionamento das personagens que são "noivas" forçadas, Milly diverte, quando intercede gritado com a monstros intergaláticos e com a gangue de piratas tecnológicos. Nas cenas de explosão geral, o enfoque amplo dificulta que o olho do público acompanhe a contento detalhes. Algo não tão grave, para um candidato a blockbuster.
Saiba Mais
