Crítica

Confira na telona: o peso do passado alterna vida de pequeno alemão

Filme de Fatih Akin, 'Uma infância alemã' mostra o ciclo de vida de Hark Bohm, amigo do cineasta

Crítica // Uma infância alemã ★★★

Ainda longe da autonomia, o menino Nanning (Jasper Billerback) parece conformado num mundo adulto e sem coordenadas para o futuro próximo, ao final da Segunda Guerra Mundial. Junto com ele, sem saber, carrega na imagem feita por terceiros a associação de múltiplos erros dos pais impelidos ao lado oportunista do conflito.

A aparente tranquilidade, ao germânico Mar do Norte, da ilha de Amrum confunde o rapaz entregue a ritos da Juventude Hitlerista. Faltam parâmetros, e os perigos se avolumam: desde a falta de suprimentos para a alimentação até o opressor passado da família que ele mesmo desconhece. Expulso, expurgado, associado a roubos e roubado, Nanning abraça a missão de conseguir um pão branco, manteiga e mel para a mãe Hille (Laura Tonke), uma presença de caráter dúbio.

Numa linha menos acabada do que o visto em A fita branca (de Michael Haneke), o alemão de origem turca Fatih Akin (de O bar luva dourada e Em pedaços), numa ilha de baleeiros que recebe refugiados, demarca maré de azar para o protagonista, vitima da reprodução de maldades aos moldes nazistas. Junto com uma natureza exuberante e intimidadora, Nanning terá o poder de Tessa (Diane Kruger), tia dele algo alheia às hostilidades que o menino sofre. Ríspido, por vezes violento, o ambiente de fazenda trará fome, escambo e humilhação ao menino entregue a uma jornada áspera e cheia de arestas a serem aparadas. O filme é baseado nas memórias do falecido Hark Bohm, roteirista e amigo de Fatih Akin.

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