Crítica

Ruptura de amarras: mulheres embelezam a música de Vivaldi na telona

O longa 'Primavera' mostra bastidores das criações do expoente do barroco, com ênfase à quebra de convenções por mulheres musicistas

Primavera venceu quatro prêmios David di Donatello -  (crédito:  Kimberley Ross)
Primavera venceu quatro prêmios David di Donatello - (crédito: Kimberley Ross)

Crítica // Primavera ★★★

Quem tivera assistido ao filme ítalo-suíço Glória!, de Margherita Vicario, presente na programação da 8 1/2 Festa do Cinema Italiano de 2025, terá os indicativos do que verá no novo longa Primavera, assinado por Damiano Michieletto. Enquanto, situado em 1800, no veneziano Instituto Sant’Ignazio, Glória! se ateve à rotina de um conservatório, às vias de uma visita papal; Primavera cerca o clima de quebra de convenções, anterior ao reconhecimento da genialidade do mestre criador de As quatro estações (de 1725), Antonio Vivaldi.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O CORREIO BRAZILIENSE NOGoogle Discover IconGoogle Discover SIGA O CB NOGoogle Discover IconGoogle Discover

Para além do registro da harmonia diferenciada imposta pelo também sacerdote Vivaldi (personagem feito por Michele Riondino), o filme se detém no reluzente destino previsto para Cecilia (Tecla Insolia), violinista que se destaca entre as egressas da Ospedale della Pietà, orfanato mantido pelo chamado Governatore (Andrea Pennacchi, de A última rodada), elitista mantenedor de uma rede de favorecimentos para abonados da corte. Música, status e dinheiro fazem parte do ciclo da prometida Cecilia, que tem por pretendente Sanfermo (Stefano Accorsi, de O último beijo), que ostenta o heroísmo de regressar das frentes de batalha europeia.

No desenvolvimento, o longa de Michieletto (veterano em produções que adaptam óperas) se confirma convencional, registrando uma atmosfera de sensualidade, denunciando episódios cruéis de misoginia e decifrando parte do reconhecimento tardio para o asmático compositor de raízes barrocas, morto em Viena. Algo amargurada, a personagem de Fabrizia Sacchi, Priora, se projeta em cenas de colorido mais intenso. No âmbitos dos prêmios David di Donatello, Primavera venceu em categorias como som, música, figurinos e concepção de penteados.

  • Google Discover Icon
postado em 10/07/2026 12:03
x