Crítica

Poder importa: herói feito em Brasília é pertinente, em tempos eleitorais

A construção de caráter é um dos eixos do filme de estreia do ceilandense Fáuston da Silva

Manual do  herói serve-se do talento 
de Fáuston 
da Silva -  (crédito: Amanda Ellen/ Divulgação)
Manual do herói serve-se do talento de Fáuston da Silva - (crédito: Amanda Ellen/ Divulgação)

Crítica // Manual do herói ★★★ 

Época de vestibular, andanças de ônibus, ações coladas "ao proletariado", e está assentado o campo de identificação entre o público e os exemplares (mas imperfeitos) personagens de Manual do heroi, filme local de ação assinado pelo brasiliense Fáuston da Silva. Para se contagiar pelo heroísmo, os jovens na telona, seguem lemas de altruísmo e de servir na base do anonimato, sem esperar reconhecimento. Nessa linha, Agnus (Eduardo Gabriel Ydiriuá) reservará, na mochila escolar, a máscara, num cotidiano em que, ao lado da experiente Hakani (Elaine Amaro), responsável pela formação dele, reforçará a "virtude que se renova a cada amanhecer".

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Ao cumprimento de "meu benefício", os personagens circulam num aparentemente complexo mundo integrado por omissos, que estão a meio caminho entre vilões e heróis. Entre sentenças algo pomposas, como "Toda a infelicidade humana nasce da esperança", o texto abraça momentos de pura ironia como a fala de que "entre recursos mais escassos do mundo está o entretenimento". Assim, encerra-se um roteiro bem amarrado, mas ainda bem descritivo.

Uma corrente ideológica se estabelece, trazendo elementos como um suposto Pacto pela Pátria e situações que maculam a já enxovalhada corja da (falta de) classe dos políticos. Há breves discussões que, acertadamente, desvelam entraves capitalistas. Roubos de equipamentos (como transmissores) e uso de tecnologia seguram a ação, enquanto o filme traz participação de personagens do Senado, de fictícias ligas de poder e ainda tipos enraizados nas culturas indígena e negras. Um dado, na trama, é incômodo e atual: o do destino dos "fracassados" (párias sociais) que, segundo alguns, como solução, deveriam ser "desinfectados".

Entre os destaques no elenco estão o líder dos vilões Arturo (Lino Ribeiro) e o representante dos omissos Dário (Bruno Torres), além de Sofia (Aline Araújo). A montagem do filme é extremamente ágil e há direção de arte bastante competente a cargo de Isabelle Esmeraldo. Defendendo a ideia de um heroísmo associado ao querer, e não a poder, o filme surpreende pelas cenas de drone e as bem coordenadas coreografias de luta.

 

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postado em 17/08/2026 10:37 / atualizado em 17/08/2026 11:00
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